segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Chiquinho: O estudo é a cura

Jankiel Francisco Cláudio – O Chiquinho do Grupo Poetas Divilas
30 anos, Formado em Comunicação Social/Relações Públicas – UCS
Caxias do Sul – RS

Salve, rapa... Então, agora estou formado. Habilitado em Comunicação Social-Relações Públicas, pela UCS – Universidade de Caxias do Sul – RS. Foram oito anos de correria, luta e disposição. Existe uma cena que jamais sairá da minha cabeça. 

Foi no primeiro dia em que ingressei na universidade em 2002, quando a professora, após conferir a lista de presença, cobrou o e-mail de todos os alunos para enviar as matérias via internet para os acadêmicos. Confesso que gelei a barriga, pois eu não tinha e-mail, não tinha computador. Literalmente, um analfabeto digital. Não sabia distinguir um site e um e-mail. WWW, @, todas as siglas desconhecidas por mim até aquele momento...

Foi quando a docente proferiu o meu nome - Jankiel Francisco Cláudio, pedindo o meu email.
-Professora, eu ainda não tenho email. Respondi educadamente, mas com uma vontade de... Deixa pra lá...

A professora, sem piedade, falou:
Quem não tem e-mail, não vai conseguir acompanhar as matérias. Tempo perdido aqui dentro. Fulano, trate de providenciar um email para a próxima aula. Caso contrário será prejudicado.
Então eu pensei muitas coisas em apenas um segundo. Passaram várias fitas na minha mente. Pensei que aquele lugar não era pra mim. Queria vazar zuado da faculdade. Seria um fracasso. Mais um neguinho que não resistiu ao sistema. Não segurou a pressão. Estando lá, bem próximo!

Mas peraí?? Não vou ficar atrás de ninguém. Pensei. Afinal, sabedoria de vida nós temos até para vender. Quantos problemas nós temos nas quebradas bem piores que este?

Sempre trabalhei, desde molequinho, acordo cedo para ralar o dia inteiro, lembrei da minha filha, preciso encaminhar um futuro legal para ela e sempre acreditei que através da educação, do estudo, podemos construir um futuro melhor. Quando a aula acabou, me joguei para o laboratório de informática da universidade. Cheguei lá na humildade e pedi para o instrutor me ajudar a ligar o computador, pois nem isso eu sabia. No outro dia, eu pedi ajuda para acessar a internet e orientação para criar um email. Ufa!!! Não acredito!! Que era só isso!!!??? Barbada.

Dois meses depois e um pouco mais ligado no assunto, pedalei um computador em 24 parcelas pesadas. Isso em 2002. Honrei minha dívida e consegui mergulhar no mundo virtual.

“É necessário sempre acreditar que o sonho é possível
Que o céu é o limite e você, truta, é imbatível
O tempo ruim vai passar, é só uma fase..” (Edi Rock)

E depois disso, algumas barreiras foram ultrapassadas com mais facilidades... Aproveitei a aquisição para gravar muito rap nacional para a rapa da zona oeste de Caxias do Sul, comunidade do Beltrão de Queiroz ao Marechal. Lembro que tinha até fila na frente de casa e eu gravava com muito orgulho para meus irmãos da periferia. Criação de bases, fotos, mp3, vídeos. Lembro também que salvava os artigos sobre hip hop, imprimia e compartilhava com os militantes. O melhor hábito que adquirimos, a leitura.

O tempo passou e a cada dia agregamos mais e mais conhecimento. As oficinas realizadas com as crianças das favelas de Caxias do Sul e nas escolas públicas, atrelado com o aprendizado da faculdade, facilitaram na compreensão e construção intelectual. Lógico que aprendo muito nas quebradas que passamos, e não me detive somente ao ensino universitário, muito menos às tecnologias digitais, pois sabemos que a maior faculdade é a da vida é a da favela.

No entanto, esta mutação foi revolucionária. Junto com toda essa mudança o hip-hop caxiense vem no embarque. Processo de evolução. Afinal, crescemos também como seres humanos.
Conto toda esta história, para mostrar para as crianças e adolescentes das periferias que, apesar de todas as dificuldades e obstáculos, também é possível atingirmos nossos objetivos.

Escrevi a primeira monografia sobre hip hop na Universidade que possui mais de 30 mil alunos e juntamente com o grupo Poetas Divilas, ministramos inúmeras palestras e oficinas sobre o hip hop para professores universitários e acadêmicos, no qual muitos desconheciam nossa cultura.

Quando chegou o momento da minha graduação, sabendo que muitas crianças nunca presenciaram uma festa de formatura, resolvi compartilhar com minha comunidade esta conquista, realizando a Primeira Festa de Formatura com a Comunidade, aqui em Caxias do Sul.

Mais de 200 crianças estavam presentes no evento comunitário. Guloseimas, brinquedos infláveis, algodão doce, pipoca e refri para os convidados. Com o apoio da comunidade a festa foi um sucesso. O evento teve seus méritos: destaque nos principais jornais e rádios da cidade, até o Prefeito da cidade esteve por lá. Mas nada, nada mesmo foi mais bacana do que o sorrido da molecada. O sorriso de esperança estampado no rosto deles.

Veja que ironia, pra quem não tinha e-mail, penso que até cheguei longe. Mas agora eu quero muito mais. Quero ver meu povo invadindo as universidades, pela porta da frente, pois O ESTUDO É A CURA. (Poetas Divilas)

Sem demagogia, sabemos que com todo este contraste social, ainda não é normal morador das comunidades pobres conquistarem um diploma em uma faculdade. Para tanto, precisamos reverter este quadro. Nossas crianças pobres não estão tendo nenhuma oportunidade para viverem em condições de igualdade, onde possam crescer e se tornar verdadeiras pessoas, participativas e integrantes de nossa sociedade. Lógico que não depende só de uma pessoa, mas futuramente queremos que a graduação se torne um fato natural.

Um salve especial para as crianças e adolescentes de todas as periferias do Brasil... “O estudo é a cura”.



Fonte: http://www.vermelho.org.br

Um comentário:

  1. Ana Beatriz(2)2°A; Levy Sampaio (23)2°A; Wenia Darley (40)2°A Turn:manhã [J. Alencar]27 de outubro de 2010 08:47

    1- Você se considera um cidadão? Por que?
    R:Porque participo das decisões sociais e opino os meus direitos como cidadão.
    2- Como surgiu o conceito de cidadania?
    Surgiu na idade antiga após a Roma conquistar a Grécia, seu conceito veio apartir de que somente os homens teriam o direito de título de cidadão.

    3- O que é ser cidadão?
    ser cidadão é ter a começo de tudo atitude sobre seus direitos, zelando para o bem da comunidade e principalmente respeitar as leis.
    4- O que podemos fazer para que a cidadania faça parte do nosso dia-a-dia?
    Respeitar as leis, exercer nossos deveres e ir atrás dos nossos direitos e fazer com que o governo cumpra com o seu dever.
    5- Dê 5 exemplos de demonstrações de cidadania no nosso cotidiano e 5 exemplos da falta de cidadania.
    -Manter a cidade limpa;
    -Preservar o patrimônio público;
    -Preservar o meio anbiente;
    -Respeitar as leis;
    -Respeitar ao próximo;
    *Pixar o patrimônio público;
    *Quebrar os espaços públicos;
    *Sujar a cidade;
    *Afrontar as leis;
    *Contribuir para o desmatamento anbiental.

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