quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O QUE É UM LIVRO DIDÁTICO DIGITAL?



Frequentemente, quando falamos de livro didático digital, pensa-se que são os novos dispositivos para a leitura de arquivos de texto, que recebem o nome de ereaders e os seus conteúdos de ebooks

Estes aparelhos transformaram em formato digital os livros existentes em papel, e com isso, a predominância é de textos. Ainda que possam ter conteúdo multimídia, em geral, não é este conteúdo que prevalece.


Como veremos a seguir, os livros didáticos digitais são uma mídia mais rica que os ebooks e em geral vinculados ao acesso à Internet.






DEFININDO CRITÉRIOS

O vídeo a seguir apresenta melhor o que é um livro didático digital.




DEFINIÇÃO

Os livros didáticos digitais são recursos educativos que trabalham os conteúdos correspondentes a uma disciplina e a um curso determinado.

Estabelecem uma sequência didática, mas podem ser usados em parte ou ainda em uma sequência diferente da proposta.

Oferecem informação multimídia, recursos interativos e atividades auto avaliativas.


Normalmente são acessíveis via internet, mas alguns são oferecidos em outras mídias, como o DVD.

SUA VEZ

Busque na internet por "livros didáticos digitais".

Veja quais realmente correspondem às definições que demos.
O que os livros didáticos digitais podem ajudar na sala de aula? E em casa?


COMO SE FAZ UM LIVRO DIGITAL?

Para compreender melhor o que é e como funciona um livro de texto digital é interessante se conhecer como eles são elaborados.

Para isso, a seguir, uma entrevista com Héctor Ruiz, diretor geral da empresa Digital-Text, que é pioneira no setor. Ele explica como estes materiais são concebidos e quais são os seus impactos nas aulas.


VEJA ENTREVISTA COM HÉCTOR RUIZ





RECURSOS PARA APRESENTAÇÃO



Alumnos en clase



Um livro didático digital não é pensado somente para que cada aluno o utilize de forma individual, senão também para projetá-lo na sala de aula e utilizá-lo como apoio às explicações. Neste sentido, seria melhor utilizar o conceito de livro-apresentação digital.


Desse modo, ele dispõe de uma série de recursos para enriquecer as explicações.










ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Uma possibilidade simples, mas útil, é a de gerir que informação é mostrada na tela, em uma determinada página.

Quando se está desenvolvendo uma explicação com diferentes passos não é interessante mostrar todos de uma vez, senão fazê-los aparecer um atrás do outro, para poder enfatizar a atenção em cada um deles enquanto se explica.

Por outro lado, ao apresentar listas de objetos ou categorias, é interessante perguntar à classe o que se sabe sobre cada um deles, antes de mostrar as respectivas definições.


EXEMPLOS:




CONFLITO COGNITIVO

Em geral o controle do que se mostra na tela permite estabelecer um diálogo com os alunos e alunas mediante perguntas sobre o que está a ponto de se mostrar.

Isto ajuda a gerar o que se conhece como conflito cognitivo. Assim, a informação é oferecida em seguida para resolver este conflito.


A aprendizagem é mais significativa se responde a nossas dúvidas e conflitos em comparação a um processo apenas expositivo.


EM RESUMO

A gestão da informação pode ajudar a gerar curiosidade entre os alunos e fomentar a sua participação.


ANIMAÇÕES EXPLICATIVAS

As animações mostram fenômenos, procedimentos e sequências de acontecimentos de forma predominantemente visual. Uma animação pode mostrar o ciclo da água, a evolução territorial no tempo do Império Romano ou ainda os passos para resolver uma equação, para citar alguns exemplos.

Os detalhes e movimento das imagens facilitam a compreensão dos alunos, que podem observar a sequência completa e não só fotografias de passos intermediários, como acontece em materiais impressos.

Novamente, é possível pausar uma animação em um ponto intermediário para perguntar o que se espera que ocorra em seguida e assim gerar um conflito cognitivo.

EXEMPLOS




INTERATIVIDADE

Planetas
O uso de recursos audiovisuais nas salas de aula já poderia ter se generalizado de forma massiva, mediante projetores e reprodutores de áudio e vídeo.

Mas agora temos disponível uma das contribuições mais genuínas dos computadores: a interatividade. Isto abre grandes possibilidades pedagógicas.

Por isso os livros didáticos digitais representam um novo campo para a educação: a seguir vamos tratar com mais detalhes dos recursos interativos.



SIMULAÇÃO

A interatividade permite recriar situações reais de maneira virtual. Graça a isto, podem se realizar experimentos antes impossíveis em uma sala de aula.

Ao usar simuladores, o aluno entra em contato direto com os fenômenos que estuda, os modifica e pode atuar sobre os mesmos. Tudo isso favorece as condições para que possa desenvolver um novo conhecimento e não limitar-se a reproduzir enunciados que termina por não entender.


Evidentemente o uso dessas ferramentas não deve substituir a experimentação direta quando isto seja possível para a escola.

EXEMPLO




ATIVIDADES AUTOAVALIATIVAS

Frequentemente quando se realiza ou se corrige uma atividade no quadro, nem toda a classe aproveita de igual maneira. É fácil que alguém não entenda algum passo da explicação e perca todo o conjunto da exposição.

Por outro lado, a distância temporal existente entre o momento de realizar tarefas em casa e o momento de corrigi-las na escola não favorece a atenção e compreensão dos próprios erros e acertos. Neste contexto, a interatividade pode oferecer novas possibilidades.


As atividades auto avaliativas oferecem ao aluno respostas imediatas sobre o trabalho realizado. Recebe-se uma valorização da tarefa: se pode perceber onde errou, onde acertou e quais são as respostas corretas.

EXEMPLO



AUTORREGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Como acabamos de ver, as atividades autoavaliativas permitem receber a correção em tempo real. Desta maneira, se pode repetir a atividade tantas vezes como seja necessário até realizá-la perfeitamente.

Além disso, em função dos resultados obtidos, o aluno pode decidir realizar mais atividades de um tipo que de outro, para reforçar os seus pontos fracos.

Isto é o que se conhece como autorregulação da aprendizagem, processo que facilita que cada pessoa aprenda com seu ritmo e segundo as suas necessidades.



EM RESUMO


As atividades autoavaliativas facilitam o controle dos alunos e alunas sobre o próprio processo de aprendizagem.


O PAPEL DA INTERNET

Em 1988 o pesquisador e escritor Isaac Asimov foi entrevistado no programa de TV "O mundo das ideias". Nesta entrevista, predizia, com extrema precisão, qual seria o impacto da internet na educação e nas nossas vidas.

A seguir, veremos que consequências trazem o fato dos livros didáticos digitais serem acessíveis pela internet.


VEJA O VÍDEO Isaac Asimov e a Internet




AMPLIANDO O CAMPO DE JOGO

Quando o livro didático digital se encontra em um dispositivo com acesso à internet, é muito fácil propor atividades que utilizem recursos disponíveis na web. A utilização de links permite acessar com um simples clique a um artigo especializado, uma base de dados atualizada ou uma das muitas aplicações gratuitas que existem hoje em dia.

Portanto, os livros didáticos digitais não precisam limitar-se ao seu próprio conteúdo, a suas próprias animações e atividades. O seu "Campo de Jogo" pode ser ampliado e estender-se a todo o ciberespaço.

EXEMPLO




BETA PERMANENTE


A disponibilidade de livros didáticos digitais na internet tem um inconveniente: depende da conectividade.

No entanto, também permitem dispor em todo momento de uma versão atualizada dos materiais: não é preciso esperar anos para que se reeditem ou para se incorporar os últimos acontecimentos ou correções.

Isto significa que o livro didático digital não é algo fechado ou definitivo: ele está vivo e em continua transformação.


O DADO

Quando um software ou livro digital já é público mas ainda está em testes, se diz que ele está em fase beta.

Como os livros didáticos podem estar em constante mudança, a expressão beta permanente é utilizada para indicar a sua modalidade de disponibilização.


PERSONALIZAÇÃO E DERIVAÇÃO

Existem diferentes tipos de aprendizagem e diferentes formas de ensinar. Uma das metas atuais da educação é conseguir dar respostas a todos eles. Os livros didáticos digitais podem contribuir neste sentido com a possibilidade de personalização.

Estes materiais tendem a estruturar-se, cada vez mais, em pequenas unidades de conteúdo, que podem ser ativadas ou desativadas e reordenadas, personalizando o currículo. Além disso, é possível incorporar materiais externos dentro da própria estrutura dos livros. Isto permite satisfazer necessidades e características individuais diversas.

Provavelmente, em um futuro próximo, o livro didático digital será a combinação de três tipos de conteúdos: os elaborados por empresas especializadas, os disponíveis na web e os elaborados pelo próprio docente.



SUA VEZ

Pegue um livro didático de sua disciplina. Leia o índice e compare com o que costuma trabalhar em classe.

Você mudaria a ordem dos temas?
O que tiraria?
O que acrescentaria?
Você tem materiais próprios para estes acréscimos?


DIFERENTES FORMAS DE USO

Atualmente, a implantação das novas tecnologias nas escolas ainda é muito desigual. Em alguns casos, se reduz aos laboratórios de informática. Em outros, há computadores nas classes, junto com projetores e telas interativas. Ainda em outros, cada aluno ou aluna possuem um dispositivo próprio.

Quanto mais a digitalização das salas de aula, maior será o proveito dos livros didáticos digitais. Mas em qualquer dos cenários anteriores, eles podem significar um enriquecimento da aprendizagem.



DADO

Quando cada aluno ou aluna dispõem de um computador ou dispositivo móvel, dizemos que ele segue o modelo 1 a 1.





O DOCENTE DESDE A TELA


Docente en la pizarra
Como vimos, os livros didáticos digitais podem ser projetados numa tela, facilitando a exposição do docente.

As animações são um suporte para as explicações e permitem enriquecer a aprendizagem com a reprodução de esquemas e ilustrações.

Ao gerir a informação que se mostra na tela, se pode ir formulando perguntas aos alunos, para manter estimulante a conversação. Da mesma maneira, se podem resolver conjuntamente as atividades autoavaliativas.

Se os alunos dispõem de computadores, é possível seguir o quadro com o livro aberto. Mas pode haver momentos em que o professor peça para fechar o livro individual e concentrar a atenção na atividade apoiada na tela.



O ALUNO DESDE A TELA


Alumno en la pizarraPara promover a atenção e a motivação dos alunos, se pode convidá-los a irem até a tela realizar alguma atividade interativa. O resto da classe poderá comentar a solução escolhida e participar da análise de seus desdobramentos.

Também é possível pedir que os alunos preparem atividades e trabalhos para apresentarem utilizando as telas com livros digitais.



TRABALHO AUTÔNOMO


Alumno trabajandoOs livros didáticos digitais são também muito adequados para o trabalho autônomo dos alunos e alunas.

Na sala ou no laboratório de informática se podem dar tarefas aos alunos que poderão cumprir individualmente e realizar a sua autoavaliação.

É possível propor as mesmas atividades a toda a classe, para logo compartilhar os resultados obtidos ou fazê-lo de maneira diferenciada segundo o processo de cada estudante.

Os livros didáticos digitais também podem ser o suporte para as tarefas dadas para casa: as animações, vídeos e outros recursos interativos favorecerão a compreensão dos conceitos e permitirão que cada qual experimente ou indague, segundo as suas necessidades.


TRABALHO EM GRUPO


Alunos trabalhando em grupo

O trabalho em grupo favorece o intercâmbio de opiniões e a aprendizagem entre pares. Por isso, é sempre recomendado propor atividades que se resolvam em grupos, que poderão trabalhar de maneira autônoma com a intervenção do professor quando necessário.

Uma das tarefas especialmente adequadas para desenvolver o grupo é o trabalho com simuladores. Com eles, é possível experimentar, indagar e discutir sobre o observado, a partir de uma série de perguntas feitas pelo docente.


EXEMPLOS DE LIVROS DIDÁTICOS DIGITAIS

Atualmente existem vários tipos de livros digitais em diferentes partes do mundo. Alguns são mais interativos, mais visuais, mais detalhados segundo a abordagem pedagógica, segundo a variedade de necessidades das escolas, classes e professores. Cada um deve escolher uma ou outra abordagem.

Como no Brasil os livros didáticos digitais começam agora a serem adotados, oferecemos a seguir uma amostra dos modelos que estão sendo utilizados em vários países.



BrainPOP


BrainPOP é uma empresa americana com mais de 10 anos de atuação no setor de recursos digitais educacionais.

Seus materiais são utilizados em 25% dos centros educacionais dos Estados Unidos.

Destaca-se em seus materiais a grande oferta de vídeos e o conjunto de personagens criados para atender ao currículo do ensino fundamental.



YTEACH

A empresa polonesa Young Digital Planet desenvolveu a plataforma de recursos educacionais digitais yTeach.

Estes materiais se centram nas áreas de matemática e ciências para os alunos de 11 e 19 anos.

Um dos seus pontos fortes é o alto grau de personalização que permitem. O docente pode criar as suas próprias unidades, utilizando cada uma das atividades, explicações e animações disponíveis, ou ainda adicionando as suas próprias.




Digital-Text

Digital-Text é a empresa de livros didáticos digitais mais conhecida na Espanha.

Seus materiais cobrem todas as áreas e estão dirigidos aos alunos entre 9 e 16 anos.

Dispõem de recursos audiovisuais e interativos com grande qualidade caracterizados ainda por uma abordagem pedagógica sócio-construtivista.





ESPERO TER ESCLARECIDO SUAS 

DÚVIDAS.


Fonte: apoioaoprofessor.com.br


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