domingo, 13 de abril de 2014

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE HENRIQUE VIII?

Na ordem: Catariana de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Anna von Cleves, Catherine Howard e Catherine Parr



O texto a seguir foi publicado inicialmente em outubro de 2011 no blog da Escola de Referência em Ensino Médio Prof. Trajano de Mendonça (em Recife, na rede estadual de Pernambuco) dando sequência à abordagem feita em sala e após a exibição do filme "A Outra", que narra - com algumas distorções e liberdade da "licença poética" - fatos em torno da situação da dissolução do casamento do rei inglês Henrique VIII e sua primeira esposa, Catarina de Aragão, em favor de um novo e caótico casamento com Ana Bolena. Valeria a pena a reprodução do texto aqui também.


O rei Henrique VIII não parecia um galã de cinema. Ele era obeso e tinha vários problemas de saúde, embora fosse mesmo bem mulherengo. Ele casou inicialmente com a princesa espanhola Isabel de Aragão, que era viúva de seu irmão mais velho, Arhur. Com a morte de Arthur, Henrique passou a ser herdeiro do trono e acabou casando em 1509 com a cunhada para manter a aliança política entre a Inglaterra e a Espanha, após uma complicada negociação entre os dois países.

Esperava-se logo que a rainha desse ao rei um herdeiro, porém, mesmo que Catarina tenha engravidado várias vezes (pelo menos sete), a única filha a sobreviver foi a princesa Maria. Henrique teve amantes e até filhos ilegítimos enquanto estava casado com Catarina. Entre as amantes estavam as irmãs Bolena: Maria e Ana. Com esta última, a relação acabou indo além de um caso, pois em 1533 ela foi feita esposa de Henrique e rainha da Inglaterra após a anulação do casamento entre o rei e Catarina, num conjunto de fatos que levou ao rompimento entre a monarquia inglesa e a Igreja Católica, acontecimento importantíssimo para o andamento das reformas religiosas que ocorriam naquela época e que desenvolveram o chamado Movimento Protestante. Além das questões políticas, um dos resultados deste rompimento foi a criação da Igreja Anglicana, chefiada pelo rei.

Mas o casamento de Ana Bolena e Henrique VIII não foi nenhuma história de conto de fadas. Ambos tinham temperamentos complicados e a relação foi tumultuada por vários motivos, tais como o fato de Ana não ter gerado um menino. Ela deu a luz a uma menina, Elizabeth, e sofreu dois abortos. Além disso, o rei já andava tendo mais um caso extraconjugal com a cortesã Jane Seymour, irritando profundamente a rainha Ana. Em 1536, a “casa caiu” para Ana e a situação complicou-se mesmo quando ela passou a ser tratada com profunda desconfiança pelo rei e por seus conselheiros. Ela foi enfim acusada de bruxaria (supostamente para seduzir e casar com o rei), de adultério (supostamente com cinco amantes), de incesto (por ter supostamente tido relações sexuais com o próprio irmão, o Visconde de Rochford), de conspiração contra o rei. Muitas das pessoas associadas a rainha Ana foram condenadas a morte e ela foi executada por decapitação.

Henrique não passou muito tempo viúvo. Ficou noivo de Jane Seymour no dia seguinte à execução de Ana Bolena. O casamento ocorreu pouco tempo depois e a agora rainha Jane acabou realizando no ano seguinte o grande sonho do rei, dando a luz ao príncipe Eduardo. Nesta ocasião, Maria e Elizabeth, filhas de Henrique com as esposas anteriores foram retiradas da sucessão, ou seja, não eram mais herdeiras do trono. Mas se você pensa que tudo ficou bem para Henrique engana-se redondamente, pois Jane morreu após o parto! Isso mesmo: foi o fim do terceiro casamento do rei!

Em 1540 Henrique voltou a se casar. Foi um casamento arranjado e desta vez a “sortuda” foi a nobre alemã Anna von Cleves, irmã de um importante aliado do rei da Inglaterra. Henrique não sentiu muita atração por ela e o casamento durou pouco tempo, sendo anulado depois que o rei e a nova rainha declararam que o matrimônio não foi consumado, ou seja, não tiveram relações sexuais para definir os laços entre o casal. Desta vez a ex-esposa não acabou em uma situação difícil, pois o próprio Henrique decretou que ela seria reconhecida como sua irmã e passaram a ter uma cordial relação de amizade.

Henrique voltou ao altar no mesmo ano com a jovem Catherine Howard. Comentavam que a nova espora do rei teve uma vida bastante agitada fora da corte e que mesmo após ser consagrada rainha, vivia rodeada por alguns de seus antigos amantes e que andava traindo o rei. Os comentários transformaram-se em acusações e o resultado não foi outro senão a execução da rainha! Detalhe: ela era prima de Ana Bolena!!!

Você já deve ter perdido as contas, mas Henrique VIII realmente era chegado a um casamento. E não é que ele casou de novo em 1543... e pela sexta vez! A “felizarda” então foi a riquíssima dama Catherine Parr. Ela era viúva de um importante nobre e diziam até que era mais rica que o próprio rei. A rainha Catherine era também muito culta e articulada, influindo na reconciliação entre o rei e suas filhas Maria e Elizabeth.


Na ordem: Catariana de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Anna von Cleves, Catherine Howard e Catherine Parr


Bem, além de casamentos, Henrique também era chegado em outras coisas, como, por exemplo, perseguir inimigos e críticos. A lista de pessoas executadas sob suas ordens é imensa e as razões são muito variadas. Ele executou desde rebeldes a pessoas íntimas e amigas. O negócio era mesmo mostrar que mandava e manter o controle sobre a situação, afinal, estamos aqui nos referindo a um grande expoente do absolutismo monárquico. Nem mesmo o papa mantinha controle sobre o rei, pois isso ficou bem claro quando Henrique VIII definiu o rompimento com a Igreja Católica. O rei envolveu-se em guerras, em tramas bem complexas e atém promoveu atos de verdadeira tirania. Também promoveu desenvolvimento para seu país, pois decidiu investir na fabulosa marinha mercante inglesa, tornando o reino uma potência comercial pronta para futuros avanços.

Com o passar dos anos, Henrique foi ficando cada vez mais obeso e sua saúde foi se agravando mais. O rei tinha muitas dificuldades para se locomover e parecia ir perdendo o ânimo até que acabou morrendo aos 55 anos de idade, em janeiro de 1547.

O que ocorreu com a Inglaterra após a morte do poderoso monarca?


            Eduardo IV

Segundo a linha sucessória, o herdeiro do trono era o príncipe Eduardo, mesmo sendo o caçula. Ocorre que o jovem príncipe tinha apenas 9 anos na ocasião, tendo um grupo de notáveis chefiados por um irmão de sua mãe como seus tutores. Coroado muito jovem, Eduardo VI também governou pouco tempo, pois morreu de tuberculose em julho de 1553. Após sua morte, a dinastia teve sequência com a filha mais velha de Henrique VIII, Maria I, que foi apoiada pela população e superou um golpe que tentou impedir sua coroação.

O reinado de Maria foi tenso, pois ela era católica fervorosa e não havia aceitado o rompimento que seu pai realizou com a Igreja. Ela casou com o poderoso rei da Espanha, Filipe II, que era aliado do papa. O casamento com um rei estrangeiro e católico fez com que a popularidade da rainha acabasse e isso ainda foi pouco, pois Maria promoveu perseguições aos protestantes e recebeu um apelido nada simpático: Bloody Mary (“Maria Sanguinária”). Influenciada por Filipe, Maria envolveu a Inglaterra numa guerra contra a França e saiu-se derrotada, agravando ainda mais os ânimos da população.




          Maria I


A rainha foi ficando também perturbada e até sentiu gravidez psicológica [clique aqui e saiba o que é isso] – e logo duas vezes – tendo feito um testamento nomeado o marido espanhol herdeiro do trono enquanto seu filho inexistente fosse menor e ela viesse a morrer no parto! Seu estado mental foi ficando cada vez mais grave e a rainha foi se isolando, assumindo um comportamento sombrio, deprimente e – para muito – ficando louca. Ela morreu em novembro de 1558.


Por fim, a segunda filha de Henrique VIII - justamente a filha da polêmica Ana Bolena - acabou sendo coroada rainha. Era Elizabeth I passou a ser a maior representante da dinastia e transformou a Inglaterra na grande potência do mundo a partir daquela fase da Idade Moderna. Elizabeth I é outra grande e ilustrativa figura do absolutismo, mas ela merece mais comentários em outra ocasião.

Elisabeth I

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