segunda-feira, 28 de julho de 2014

O HOMEM MÁQUINA



Inventamos, reinventamos como numa cadeia cíclica, sempre a chegar num mesmo lugar, mas o que nos fascina é esta capacidade de tentar ir além de almejar o poder divinal e transcendental de criar, de reinventar, de arquitetar como se fôssemos Deus ao criar o homem.
Para isso ele cria sem limitações e acaba reduzindo-se a uma máquina que pode ser programada a qualquer hora ou até mesmo ligada no automático.
No texto “ O Homem Máquina Hoje”, Sergio Paulo Rouanet traz essas indagações sobre a relação homem-máquina, através da história do médico Julien Of fray de La Mettrie, um revolucionário da sua época , que quebrou princípios morais de uma sociedade conservadora.Apesar de ter vivido a séculos atrás, suas idéias são mais atuais do que nunca.
La Mettrie desumanizou o homem, que é comparado a uma máquina, aproximando-o dos animais, o que cai por terra a idéia de valorização do homem, o que é um dos grandes pontos do texto, a alma que faz desse ser divino é retirada e em troca tem-se um cérebro que comanda uma engrenagem chamada corpo. Afinal, será que realmente somos superiores?
O humano dotado de sentimentos, emoções, de vida em si é máquina e também é comparado aos animais, que por não terem almas são máquinas, assim La Mettrie e Descartes descrevem e defendem a sua tese de que somos semelhantes aos animais por não termos alma, por isto somo máquinas.
Até concordamos que somos máquinas, a vida é reduzida ao botão automático, precisamos seguir a lógica da pós-modernidade, da correria diária, de não termos tempo para refletir sobre nós mesmos e sobre o mundo, não vivemos mais a vida como ela merece ser vivida, com prazer, emoções e sentimentos, as máquinas não tem tempo para isso.
Um outro, ponto trazido por La Mettri foi a busca pela felicidade, pelo prazer , o ideal de liberdade, da quebra de preconceitos ,adotando para isso os melhores meios de cada máquina para ser feliz, mas lá La Mettri peca ao pregar a felicidade individual e não coletiva, talvez porque ela pensa como máquina e como tal não é pensa no outro ,é individualista.
Será que podemos voltar? Existe o botão do off, ou será que tudo sempre foi assim, a vida é uma máquina, uma mercadoria?
Segundo Álvaro Vieira, no texto O homem e a máquina, a nossa dependência com as máquinas, a nossa relação com elas vem desde os primórdios, quando as necessidades foram surgindo. Foi com a finalidade de “ diminuir” o trabalho muscular e libertar-se do cumprimento de tarefas “que requerem penosos dispêndio de energia muscular ou mental”, que o homem criou os instrumentos, as máquinas.
Diante da evolução, aprimoramento dessas técnicas que facilitam o trabalho surgem questões a respeito desse avanço tecnológico, da cibernética.As máquinas irão substituir os homens pensantes? Elas devem ser também consideradas possuidoras de pensamento?
Segundo o autor, homem e máquina estão ligados. Ela é uma “ realização específica do homem, que nenhum animal é capaz de efetuar”. Para fabricar a máquina, é necessário informações que vão além do trabalho manual.
Para o Vieira , esses aprimoramentos sempre existiram e essas ideias surgem a partir das necessidades musculares que precisam ser supridas, a partir de necessidades coletivas.
“Na máquina são aplicadas, tanto as forças naturais, quanto a estrutura material”. Portanto, ela só existe porque essas forças naturais atuaram para gerá-la.“ A máquina deve ser interpretada como delegação do conjunto social para a realização de um trabalho que beneficia a todo um grupo humano”.
Segundo Vieira, as máquinas pouparão o homem do trabalho braçal, mas não do intelectual, tendo apenas economia de energia mental. Desse modo, quanto menos trabalho muscular, mais ideias e mais energia mental, para que assim ele possa criar outras máquinas.
O autor, diz que o trabalho não irá diminuir, mas será transferido para as modalidades mais difíceis, nobres, que é a intelectual.

“Enquanto ser social, o homem, não se contenta em ocupar nenhuma posição definitiva. Só se a sociedade deixasse de se transformar. Só assim o homem perderia o poder de conceber e tentar realizar novas fontes de ser.”

Fonte: http://tic-e-soc.blogspot.com.br/

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