terça-feira, 22 de julho de 2014

OS REINOS DE GANA , MALI E SUDÃO


O REINO DE GANA


Gana foi um dos maiores impérios formados no continente africano que se desenvolveu para fora das regiões litorâneas ou da África muçulmana. Sua área correspondia às atuais regiões de Mali e da Mauritânia, fazendo divisa com o imenso deserto do Saara. Desde já, percebemos a instigante história de um reino que prosperou mesmo não possuindo saídas para o mar e estando próximo a uma região considerada economicamente inviável.

As dificuldades geográficas explícitas da região começaram a ser superadas quando as populações da África Subsaariana (ou África negra) passaram a ter contato com a porção norte do continente. Graças à domesticação do camelo, foi possível que comunidades pastoris próximas do Deserto do Saara começassem a empreender novas atividades econômicas. Nas épocas de seca, os pastores berberes deslocavam-se para a região do Sael para realizar trocas comerciais com os povos da região.

Entre essas populações se destacavam os soniquês, que ocupavam uma região próxima às margens dos rios Senegal e Níger. Esse povo começou a se organizar em comunidades agricultoras estáveis que se uniram, principalmente, por conta dos ataques de tribos nômades. A região que era rica em ouro aliou sua produção agrícola ao comércio na região para empreender a formação do Reino de Gana. Dessa forma, estabelecia-se uma monarquia no interior da África.

Sua organização política é motivo de controvérsia entre os historiadores que estudam o assunto. Mesmo possuindo um amplo território e uma organização política típica dos governos imperiais, Gana não possuía uma cultura militarizada ou expansionista. O Estado era mantido através de um eficiente sistema de cobrança de impostos localizados nos principais entrepostos comerciais de um território não muito bem definido.

A economia comercial de Gana atingiu seu auge no século VIII, ao interligar as regiões do Norte da África, Egito e Sudão. Entre os principais produtos comercializados estavam o sal, tecidos, cavalos, tâmaras, escravos e ouro. Esses dois últimos itens eram de fundamental importância para a expansão econômica do reino de Gana e o considerável aumento da força de trabalho disponível. Entre os mais importantes centros urbano-comerciais desse período destacamos a cidade de Bambuque.

O ouro era escoado principalmente para a região do Mar Mediterrâneo, onde os árabes utilizavam na cunhagem de moedas. Para controlar as regiões de exploração aurífera, o rei era responsável direto pelo controle produtivo. Para proteger a região aurífera, o uso de lendas sobre criaturas fantásticas era utilizado para afastar a cobiça de outros povos. O sal também tinha grande valor mediante sua importância para a conservação de alimentos e a retenção de líquido para os povos que vagueavam no deserto.


O reino de Gana começou a sentir os primeiros sinais de sua crise com o esgotamento das minas de ouro que sustentavam a sua economia. Além disso, após o século VIII, a expansão islâmica ameaçou a estrutura centralizada do governo. Os chamados almorávidas teriam empreendido os conflitos que, em nome de Alá, desestruturaram o Reino de Gana. A partir de então, os reinos de Mali, Sosso e Songai disputariam a região.

O REINO MALI


Mesquita de Koutoubia, Marrakech (séc. XII)


O Império Mali foi um estado africano localizado no Noroeste da África, perto do Rio Níger, e que teve seu domínio durante os séculos XIII e XIV. Foi um Império dentre três consecutivos que dominaram a região, e dentre eles, o Império de Mali foi o mais extenso territorialmente comparado com os outros dois, Songhai e Gana.
Seguindo uma cronologia podemos enumerar o Império de Songhai como o primeiro império que obteve domínio sob a região do rio Niger, seguido pela Império de Gana que desapareceu por volta de 1076 quando foi imposto um governo de berberes e dos muçulmanos até que em 1240, o rei de Mali, Sundiata Keita, foi e os conquistou. Logo após essa decadência e essa conquista, ergueu-se o Império de Mali, que é considerado o maior o maior de todos os impérios medievais africanos.

Porém o Império de Mali foi muito inconstante. Certa vez, durante um período, o reino dos Mossinos que estava localizado na região do Alto Volta (um antigo pais africano cuja atualmente se tornou o pais Burquina Fasso) dominou uma parte de Mali e chegou até mesmo a saquear a sua capital. Mali posteriormente conseguiu recuperar o seu poderio sob a região sob a chefia de Suleimã, que governou Mali de 1341 a 1360.

O Império teve seu apogeu no inicio do século XIV com o governo de Mansa Mussa, que foi o responsável por converter todo o Império para o Islamismo. Em sua peregrinação a Meca (como costume de um islã) Mansa Mussa teve o acompanhamento de cerca de 15 mil homens, dizem que nessa comitiva tinha cerca de 100 camelos e uma expressiva quantidade de ouro. E nessa peregrinação ele trouxe para Mali vários mercadores e sábios que ajudaram na divulgação da religião islâmica. Foi Mussa que trouxe também o poeta-arquiteto Abu Issak, conhecido também como Esseheli, que foi quem planejou a grande mesquita de Djingareiber que teve inicio sua construção em 1325 e foi terminada por Kandu Mussa.

Quando retornou ao seu Império, Mansa Mussa, determinou a construção de escolas islâmicas na capital do Império. Assim a capital que era conhecida por ser um grande centro comercial ficou conhecida também como um grande centro de estudos religiosos. Referindo-nos ao comércio o Império controlava as principais rotas comerciais transaarianas da costa sul ao norte. Dentre os principais produtos comercializados estavam o ouro, o sal, o peixe, o cobre, escravos, couro de animais, nós de cola e cavalos.




LEITURA COMPLEMENTAR

REINO DO SUDÃO



Sudão é o maior país da África, com uma extensão de 2.505.815 quilômetros quadrados. Limita ao norte com o Egito, ao leste com o Mar Vermelho, Eritreia e Etiópia, ao sul com Quênia, Uganda e Zaire, e ao oeste com a República Centro africana, Chade e Líbia.

No norte e oeste do país estendem-se grandes áreas desérticas que admitem muita pouca vida, e ao leste está o semideserto de Núbia. Nestas regiões apenas chove, e quando isso acontece são frequentes as inundações. Para o sul, o deserto vai deixando lugar à savana e depois à selva, nas fronteiras com Uganda e Zaire.

Na Antiguidade floresceram neste território duas civilizações: a Núbia e o Kush (ou Cush).


Templo de Abu Simbel.

Desde tempos remotos, a faixa norte tem feito parte da região da Núbia. Em 1570 a.C., data em que começou a XVIII Dinastia, a Núbia era uma província egípcia.


Exército de Cush.


Coroa real da Antiga Núbia.

Do século XI a.C. ao IV d.C., a Núbia (norte do Sudão) fez parte do reino de Cush, Império núbio influenciado pela cultura egípcia que governou o próprio Egito de 713 a 671 a.C.

 

Pirâmides de Meroé.



Ruinas de Meroé.

O reino de Cush, surgido da cidade de Meroe, governou Sudão até o século IV d.C., quando caiu perante seu rival comercial da Etiópia, o estado cristão de Axum.



Os três Reinos cristãos do Sudão.

No século VI da era cristã missionários cristãos entraram na Núbia e converteram três importantes reinos da região; o mais poderoso deles foi o de Makuria, o qual teve fim no início do século XIV como conseqüência da invasão dos mamelucos egípcios. Esses reinos cristãos negros coexistiram por vários séculos com seus vizinhos muçulmanos no Egito, constituindo-se bastiões contra o avanço do islamismo. Do século XIII ao XV, porém, nômades árabes emigraram do Egito para o Sudão, o que provocou o colapso dos reinos cristãos. Os árabes se instalaram e controlaram a região norte. O sul escapa ao controle muçulmano e sofre incursões de caçadores de escravos.

Por volta de 1500, uma confederação árabe e os funj puseram fim ao reino da Alwa, reino cristão mais meridional do Sudão. Daí em diante, a metade norte do Sudão abrigaria povos racialmente mesclados, na maioria muçulmanos e árabes. Os Funj, povo que não era nem árabe nem muçulmano, fundaram um sultanato em Sennar e governaram grande parte do centro do Sudão do início do século XVI ao início do século XIX.

Próximo ao século XVIII, a falta de entendimento entre as tribos funj debilitou o reinado. Em 1821-1823 os exércitos enviados por Mehemet Ali (ou Muhammad Ali), do Egipto, nessa época uma província do Império Otomano, ocuparam grande parte da região norte e desenvolveram o comércio de marfim e de escravos. O domínio turco-egípcio se manteve durante 60 anos. No começo do século XIX, o Khedíve Ismail Paxá, vice-rei do Egito, tentou alargar a influência do Egito para sul, incorporando o Sudão a um Estado que abrangeria toda a bacia do Nilo. Expedições egípcias conseguiram conquistar todo o Sudão em 1874.

Influência Britânica

A abertura do canal de Suez em 1869 e o posterior endividamento do Egito com as potências ocidentais favoreceu a crescente intrussão do Reino Unido nos assuntos africanos. Para estimular o financiamento europeu a seus planos ambiciosos, o vice-rei do Egito, Ismail Paxá, engajou cristãos europeus na destruição do extenso comércio de escravos que se desenvolveu no oeste e no sudoeste do Sudão.



Muhammad Ahmed.

Em 1874, o Khedíve Ismail ofereceu ao general e governador inglês Charles Gordon (1833-1885) o cargo de governador-geral do Sudão Egípcio. Sua administração antiescravagista não era popular. Em 1881, Mohamed Ahmed (ou Muhammad Ahmed) declarou-se Mahdi (o enviado de Alá para restaurar o Islã, de acordo com os ensinamentos islâmicos) e liderou uma revolta contra os egípcios destinada a reformar o Islã e a expulsar todos os estrangeiros do Sudão. Após massacrar uma guarnição militar, o Mahdi e seus seguidores lançaram-se à reconquista do país. Quatro anos depois, os rebeldes apoderaram-se de Khartum. Conseguiram dominar todo o Sudão e fundaram uma teocracia. O caos econômico e social invadiu o Sudão.



Batalha de Omdurman.

Os britânicos ocuparam o Egito, em 1882, e invadiram o Sudão, onde Gordon foi assassinado, em 1885. Os mahdistas resistiram às forças anglo-egípcias, até 1898, quando o sucessor de Mahdi foi derrotado por por Kitchener na batalha de Omdurman. Após o incidente de Fashoda (o ápice de uma série de combates entre franceses e britânicos em torno de colônias africanas), os governos britânico e egípcio firmaram um acordo para compartilhar a soberania do Sudão, criando um condomínio anglo-egípcio para todo o país (1899), sob governo britânico. Na zona meridional, o controle britânico era menor.

O descontentamento com o tratado do Egito se fez mais patente após a Segunda Guerra Mundial. Em 1946, os dois países iniciaram negociações para revisar os termos do tratado. O governo egípcio pediu aos britânicos que abandonassem o Sudão, enquanto que estes propuseram modificações no regime de governo. Foi promulgada uma Constituição em 1948, mas, em 1951, o rei Farouk do Egito proclamou-se rei do Sudão.


Independência do Sudão

Após sua queda, a Grã-Bretanha e o Egito firmaram, em 1953, um acordo, mediante o qual se garantia a independência do Sudão após um período de transição de três anos. Em 1953, nas eleições para o Parlamento sudanês, o Partido Unionista Nacional saiu vitorioso. Em 1954, o primeiro governo composto por sudaneses assumiu o poder e começou uma política de sudanização.

Esse programa agravou as diferenças geográficas, econômicas e sociais entre o norte e o sul; os habitantes do sul se sentiam excluídos do novo governo. A República do Sudão, independente, foi oficialmente declarada em 1º de janeiro de 1956. O sul sentiu-se decepcionado em suas demandas de secessão ou federação, afundando o país em uma cruel guerra civil que duraria 17 anos. Desde essa época o país permaneceu na luta entre norte e sul, com numerosos golpes de estado, grandes fomes e sudaneses deslocados de seus territórios.


Política do Sudão

O Sudão é uma república autoritária onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir; ele e o seu partido estão no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989.
Desde 2003 que a região de Darfur assiste ao extermínio da população negra, por parte da árabe; este é conhecido como o Conflito de Darfur.


Subdivisões do Sudão

O Sudão está atualmente dividido em 26 estados e 133 distritos. A tabela em baixo apresenta o nome de cada estado, assim como o seu respectivo nome em português, a área do território, o número de habitantes e a capital.


História das Subdivisões do Sudão

Durante o domínio britânico, o Sudão estava dividido em oito províncias (mudiriyat em árabe). As fronteiras destas não estavam muito bem definidas, mas, depois da Segunda Guerra Mundial, ficaram bem establecidas. As oito provícias eram: Nilo Azul, Darfur, Equatória, Kassala, Cartum, Cordofão, Norte, e Alto Nilo. Permaneceram desta forma até 1948, data em que Bahr al Ghazal se separou de Equatória.
A 1 de Julho de 1973 foram feitas várias divisões de provícias. O Darfur dividiu-se em Darfur do Sul e Darfur do Norte; a provícia do Cordofão separou-se em Cordofão do Sul e Cordofão do Norte. Al Jazirah e o Nilo Branco separaram-se do Nilo Azul; a provícia de Rio Nilo separou-se da província do Norte, e o Mar Vermelho separou-se de Kassala.
Mais tarde, em 1976, Lagos separou-se de Bahr al Ghazal, e Juncáli separou-se da província do Alto Nilo; Equatória dividiu-se em Equatória Ocidental e Equatória Oriental. Existam então dezoito províncias no Sudão. Em 1991, o Governo sudanês reorganizou as divisões administrativas do país, criando nove estados federais que correspondiam às províncias existentes entre 1948 e 1973. A 14 de Fevereiro de 1994, o Governo voltou a modificar os limites dos estados, criando vinte seis estados (wilayat em árabe). A marioria dos estados eram as provícias e sub-regiões que existiam antigamente. Em 2005, Bahr al Jabal mudou de nome, passando a ser Equatorial Central.


Geografia do Sudão

Os desertos da Núbia e da Líbia e o clima árido predominam no norte, enquanto o sul está coberto por savanas e florestas tropicais. A bacia do rio Nilo, que atravessa o território do Sudão, é fonte de energia eléctrica e de irrigação para as plantações de algodão, principal produto de exportação, ao lado d
a goma-arábica. A maioria da população vive da agricultura de subsistência e da pecuária.


Cultura do Sudão


 

O Sudão é predominantemente muçulmano; aproximadamente 75% da população está ligada ao Islão, enquanto que entre 15-20% veneram deuses indígenas, e 5% da população é cristã (principalmente no sul do país).

Arte e Cultura do Sudão

Os contínuos enfrentamentos bateram duramente nas escassas manifestações artísticas e culturais do país. Na capital do país podem-se apreciar diversas construções, além de poder visitar o Museu Nacional, que oferece interessantes peças do Sudão dos reinos Cush e Napata.

Economia do Sudão

Apesar de ser o maior país da África e ter cerca de 40 milhões de habitantes, o PIB do Sudão é de apenas US$ 25 bilhões.

Agricultura

A economia do Sudão é baseada na agricultura especialmente nas regiões mais úmidas do Sul do país ou na região centro e norte, nas áreas próximas ao Rio Nilo. O principal produto agrícola é o algodão.

Comércio Exterior

As Exportações sudanesas são de US$ 4,9 bilhões. Os principais parceiros comerciais sudaneses são a China (65%), Japão (13%) e a Arábia Saudita (3,7%).

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