sábado, 26 de novembro de 2016

FIDEL: O REVOLUCIONÁRIO DO SÉCULO XX



Líder autoritário ou simplesmente um tirano para meia humanidade, lenda revolucionária e flagelo do “imperialismo ianque” para os mais despossuídos e para a esquerda militante, Fidel Castro era o último sobrevivente da Guerra Fria e certamente o ator político do século XX que mais manchetes de jornal acumulou ao longo de seus 47 anos de domínio absoluto em Cuba, um poder caudilhista que começou no dia 1º. de janeiro de 1959, após derrotar pelas armas o regime de Batista. Nem mesmo no ocaso de sua existência, depois que uma doença o afastou do Governo em 2006, sua influência desapareceu da ilha que sempre foi pequena demais para ele, pois Fidel a concebia como uma peça a mais no grande jogo da revolução universal, seu verdadeiro objetivo na vida.


AS ORIGENS
  • Em 13 de agosto de 1926, nascia no povoado de Birán
  • Nome: Fidel Alejandro Castro Ruz
  • Filho de um produtor de cana-de-açúcar  - Ángel Castro Argiz
  • A mãe: Lina Ruz González (era doméstica e amante de seu pai)
  • Tinha seis irmãos


Mãe de Fidel Castro:
Lina Ruz González
Pai de Fidel Castro:
Ángel Castro Argiz















A VIDA DE ESTUDANTE


  • Com 6 anos foi estudar em Santiago de Cuba com uma professora  particular. Segundo Fidel, a professora o abandonou e ele chegou a passar fome.
  • Aos 8 anos foi batizado na Igreja Católica Romana e por isso ingressou no Colégio La Salle (1935) em regime de internato. Ao que tudo indica, foi um aluno indisciplinado. Segundo Fidel, sua indisciplina se deu pela revolta contra o autoritarismo dos professores.
  • Aos 11 anos vai para o Colégio Dolores (1938)
  • A imagem ao lado mostra Fidel quando criança, na época em que estudava no Colégio Dolores, por volta dos anos 1940-1941
  • Segue sua escolaridade no Colégio Belém em Havana (colégio jesuíta) - 1942-1945
  • 1945- inicia o curso de Direito na Universidade de Havana

Colégio Belém em Havana



Fidel (com pirulito na boca) ainda quando estudava no Colégio de Dolores,colégio jesuíta. Na época da foto ele tinha 14 anos de idade, sedestacava pela ótima oratória e inteligência
Fonte da imagem AQUI



Na foto, Fidel com 19 anos , conclui o bacharelado.
Cinco anos mais tarde, formava-se em advocacia.
Fonte da imagem AQUI




Universidade de Havana


A CARREIRA POLÍTICA


  • Após graduar-se em Direito, passa a defender os trabalhadores e sindicatos em oposição ao governo
  • Admirava o anti-imperialismo e era contra a intervenção dos Estados Unidos no Caribe
  • 1946- Criticava o governo de Ramón Grau (presidente de Cuba que assumiu no lugar de Fulgêncio Batista)
  •  1947- entrou para o Partido Socialista do Povo Cubano (ortodoxo), fundado por Eduardo Chibás (se candidata a presidente de Cuba)
  • Chibás perde a eleição mas Fidel dá continuidade a seu trabalho
  • A violência estudantil nas universidades cubana aumenta e Fidel é ameaçado de morte
  • Fidel não deixou a universidade de Havana , apesar das ameaças e passou a andar armado juntamente com seus amigos
  • Fidel e seus aliados foram acusados de assassinatos, porém não existem provas.

O GOLPE DE ESTADO DE FULGÊNCIO BATISTA
 ZALDÍVAR

O ditador Fulgêncio Batista
  • Fulgêncio foi presidente de Cuba de 1940-1944
  • Grau San Martín se candidatou a presidente de Cuba , mas perdeu para Fulgêncio Batista
  • Fulgêncio Batista vai para os EUA enriquecido e se afasta da política cubana durante os mandatos de Grau e Carlos Prio.
  • Após Grau, foi eleito para presidir Cuba, Carlos Prio Sacarrás em 1948. (apoiava Fidel Castro)
  • Fulgêncio volta subitamente à Cuba, exilou Sacarrás 
  • Fulgêncio governou através de uma ditadura de 1952-1959
  • Governou com extrema violência e corrupção





TENTATIVAS DE DERRUBAR FULGÊNCIO:
  • 1953- Fidel (e seu irmão Raul Castro )liderou um movimento para tomar o Quartel de Moncada, em Santiago
  • A polícia d Fulgêncio Batista conseguiu vencer Fidel e este junto a seu irmão, Raul Castro, se entregaram. 
  • Foram condenados a 15 anos de cadeia
  • Menos de um ano depois foram anistiados (pressões da opinião pública)
Ramón Grau de San Martín


Carlos Prío Sacarrás


A REVOLUÇÃO CUBANA
  • 1953- Fidel refugia-se no México
  • 1956- Volta ao sudeste de Cuba com 82 companheiros
  • Quase todos foram mortos pelo exército de Cuba
  • Entre os sobreviventes estavam: Fidel Castro, Raul Castro e Ernesto "Che" Guevara
Che Guevara, Raul Castro e Fidel Castro

  • Esconderam-se em Sierra Maestra 
Os revolucionários cubanos em Sierra Maestra -
Sierra Maestra é uma região serrana de Cuba. 
A Sierra Maestra é uma cordilheira que se estende 
para o oeste em todo o sul da antiga província de Oriente,
na atual Província de Guantánamo
 para Niquero, no sudeste de Cuba
  • Apesar das perseguições, os simpatizantes da guerrilha cresciam a cada dia.
  • Em março 1957 um grupo de jovens guerrilheiros entraram no palácio de Fulgêncio Batista e quase o mataram.
  • 1958- a guerrilha conseguiu paralisar os meios de comunicação em Cuba
  • 01//01/1959- Fulgêncio Batista fugiu para a República Dominicana
  • VITÓRIA DA REVOLUÇÃO
Fidel discursa no centro de Havana após a queda do governo de Fulgêncio Batista

CONSEQUÊNCIAS DA REVOLUÇÃO
  • Fidel assume como primeiro-ministro de Cuba
  • O poder estava concentrado em Fidel Castro
  • Em maio de 1961 Fidel afirmava que Cuba seria socialista
  • Em dezembro de 1961 - mostrou-se mais marxista-leninista que socialista
  • Criou tribunais populares para julgar e fuzilar seus inimigos políticos (paredón)
  • Cuba alia-se a URSS
  • Conflitos: Cuba X EUA
  • 1959- início da Reforma Agrária
  • Estatizou bancos, minas e latifúndios norte americanos em Cuba
  • Junho de 1960- nacionalizou a Texaco e outras refinarias de petróleo norte americanas
  • Junho de 1960- EUA suspende a compra do açúcar cubano - prejuízo de 150 milhões de dólares anuais para Cuba.
  • EUA suspenderam exportações para Cuba (menos alimento e remédio)
  • EUA impediram viagem de norte americanos à Cuba
  • Fidel nacionaliza nacionaliza todos os bens norte-americanos (usinas de açúcar, hotéis, minas, fábricas...)
  • Janeiro de 1961 - o presidente dos EUA, Eisenhower, rompeu relações com Cuba
Presidente dos EUA Eisenhower -
foi o 34º Presidente dos Estados Unidos de 1953 até 1961

  • Abril de 1961, o presidente dos EUA John Kennedy, aprovou o plano de desembarque de exilados cubanos na Baía dos Porcos. 
  • A Invasão da Baía dos Porcos (conhecida em Cuba como La Batalla de Girón ) foi uma tentativa frustrada de invadir o sul de Cuba empreendida em abril de 1961 por um grupo paramilitar de exilados cubanos anticastristas (a chamada Brigada de Assalto 2506). 
  • O grupo fora treinado e dirigido pela CIA, com apoio das forças armadas americanas. O objetivo da operação era derrubar o governo socialista de Fidel Castro.
Presidente dos EUA John Kennedy,
35° presidente dos Estados Unidos, de 1961-1963

  • Até 1965, saíram clandestinamente de Cuba 350 mil cubanos.
  • Na região da Flórida - EUA, existem milhares de pessoas que nasceram em Cuba.

A URSS INSTALA MÍSSEIS EM CUBA
  • Em 1962, os EUA bloquearam Cuba por descobrirem que o país estava recebendo mísseis vindos da ex-URSS.
  • EUA planejaram invadir Cuba e até mesmo a ex-URSS
  • Havia um grande risco de uma guerra nuclear
  • Em outubro de 1962 - a ex-URSS aceita retirar os mísseis, porém, os EUA teriam que retirar os deles da Turquia
  • Tudo resolvido
  • Até 1974, os EUA tentaram de todas as formas embargar o desenvolvimento de Cuba
  • Em 1974, os EUA aceitaram exportam alguns automóveis para Cuba
  • No governo do presidente dos EUA, Jimmy Carter, os norte americanos abriram um escritório em Havana para que Cuba tivesse uma representação em Washington
  • Aumentou , entre 1980 e 1981, a emigração de cubanos para os EUA- Flórida
Jimmy Carter, foi o 39º presidente dos EUA
governou de 1977-1981
  • No governo de Ronald Reagan (EUA), as relações entre Cuba e EUA pioraram. 
 Ronald Reagan
40º presidente dos EUA. 1981-1989

COMO O HISTORIADOR MARXISTA ERIC 
HOBSBAWM VÊ A REVOLUÇÃO CUBANA




  • A aura romântica com o tempo se perdeu
  • Várias atitudes de Fidel causaram indignação mundial em várias ocasiões (ex: fuzilamento de opositores do regime cubano)
  • Para se autopreservar, o Estado Cubano passou a cometer crimes semelhantes aos que foram motivos da revolução.
Do gesto de heroísmo romântico à ditadura desumana, a Revolução Cubana comprovou, infelizmente, os dois extremos do pensamento da filósofa Hanna Arendt:




A MORTE DE FIDEL - 25 DE NOVEMBRO DE 2016 - SANTIAGO DE CUBA- CUBA

  • A notícia da morte de Fidel foi encarada de forma diferente 
  • Fidel, o herói para uns, principalmente a população mais velha de Cuba, que viu de perto esse trecho recente da história
  • Os cubanos mais jovens carregam uma mentalidade menos romântica da revolução e reclamam do isolamento em que vivem.
VEJAM ESTE DOCUMENTÁRIO SOBRE FIDEL CASTRO








































quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ORIGEM DOS CEMITÉRIOS

Escultura de um cemitério de São Paulo
 Uma Breve História dos Cemitérios


Para que se possa entender a história dos cemitérios, é necessário refletirmos a cerca da evolução da concepção da morte que nortearam as práticas de enterramento desde os primórdios da humanidade. É a partir de uma determinada crença sobre a morte que justificará o destino que os vivos darão aos mortos. Só tendo como guia o imaginário da morte que compreenderemos as várias formas de enterramento na história humana.

Lewis Mumford nos coloca algo interessante acerca da origem dos cemitérios, expondo que “a cidade dos mortos antecede a cidade dos vivos”, uma vez que: “Em meio às andanças inquietas do homem paleolítico, os mortos foram os primeiros a ter uma morada permanente: uma caverna, uma cova assinalada por um monte de pedras, um túmulo coletivo”. O que podemos tirar disso é que, desde os primórdios da humanidade, a preocupação com o “lugar do morto” já se mostrava presente.

No período Neolítico, os cadáveres eram colocados em cavernas naturais onde a entrada era fechada por uma rocha. “Eis a primeiras sepulturas dos povos neolithicos as quais não tardam a sofrer numerosas variantes, segundo o grau de civilização de cada grupo ou tribo, segundo os climas e a constituição geológica do terreno ocupado”. Mas as cavernas não davam conta dos mortos, então passaram a construir sepulturas artificiais.

Embora as cavernas representem as primeiras formas de sepulturas, elas não serão as formas predominantes de enterramento no período Neolítico. Havia o chamado dolmens, que em betão significa mesa de pedra, círculo de pedra ou pedra erguida. Embora tivesse havido dolmens em tamanhos colossais – 12 ou 15 metros de diâmetro – geralmente o dolmens era : [...] formado por quatro lousas toscas collocadas n’uma cova e cobertas por uma quinta apenas apparente á superfície do solo.Tem a fórma d’uma pyramide troncada medindo approximadamente um metro em largura e profundidade, de modo que o cadaver só pode alli ser recolhido assentado e dobrado sobre si mesmo. 

Percebemos, então, que os primeiros seres humanos já demonstravam um certo respeito pelos seus mortos, reservando-os um lugar adequado para eles. Seja pelo mal da putrefação do cadáver, ou pela inexplicável razão para desaparecimento repentino da força motora do corpo, o morto foi ganhando o seu espaço e dedicação no mundo dos vivos. Muitos povos, mesmo não compreendendo o motivo para a perda da atividade motora, sabiam que se tratava de um novo estágio do corpo. Então alimentavam a crença de que, nesse outro estágio, os mortos continuavam a ter as mesmas necessidades das que tinham em vida. Por isso os mortos eram enterrados usando os objetos que mais gostavam, além de ainda serem postos alimentos sobre suas sepulturas .

O cemitério da vila de Spânia, na Romênia, é conhecido como o Cemitério Alegre devido à forma como os amigos e parentes homenageiam os falecidos. As tumbas são coloridas com desenhos de arte primitiva moderna, que se assemelha com pinturas de crianças, que descrevem as pessoas enterradas, assim como cenas de suas vidas. O cemitério se tornou um museu a céu aberto


A falta de explicação para o fenômeno da morte é o que levará muitas sociedades, principalmente os egípcios na antiguidade clássica, a crerem na vida após a morte. Daí os cuidado para que o corpo não se desintegrasse – os processos de mumificação – se tornaram uma peculiaridade dos egípcios. Já os faraós, alem de serem mumificados, eram postos em templos gigantescos – as pirâmides – simbolizando a importância que eles representavam para a sociedade e seu poder central.

Na antiguidade Greco-romana, os mortos eram os primeiros que “recepcionavam” os viajantes: “a primeira coisa que saudava o viajante que se aproximava de uma cidade grega ou romana era a fila de sepulturas e lápides que ladeavam as suas estradas”. Com os gregos e os romanos irão surgir muitos dos costumes que perdurarão até hoje, como transcrever inscrições nas lápides tumulares, pôr flores sobre os túmulos, além de alimentos. Foram a partir desses costumes que a memória do morto passou a ser preservada e cultuada, assumindo diversas feições ao longo dos tempos.

A prática dos romanos em enterrar seus mortos em beiras de estradas mudará conforme o avanço do cristianismo na sociedade. Só então que “[...] surgiu a tendência de aglomerar os defuntos nas proximidades dos lugares sagrados, como tumbas de santos e igrejas, na perspectiva do Juízo Final e da ressurreição dos corpos” . Como o enterro estava – e ainda está – relacionado à crença na ressurreição do corpo, qualquer outro destino para o morto – como a cremação, por exemplo – era repudiado pela doutrina cristã, sob alegação de que outras práticas anulavam a imagem que se tem do sono a espera do despertar.

Projetado pelo arquiteto Alexandre Théodore Brongniart em 1803, é no Pere Lachaise que fica o Muro dos Federados, onde foram fuzilados 147 dirigentes da Comuna de Paris no dia 28 de maio de 1871. Porém são seus ilustres habitantes que tornam o cemitério um dos mais famosos do mundo. Lá é morada de Jim Morrison, Edith Piaf, Allan Kardec, Frédéric Chopin, Oscar Wilde e Richard Wright

Segundo Araújo , os cemitérios similares aos que vemos hoje só surgem em plena Idade Média, quando os mortos passam a lotar as dependências da igreja e o seu redor. A igreja será quem primará em preservar os túmulos, o que fará com que o cemitério se construa em seu redor, conforme cita Schmitt: “(...) o cemitério é cercado por um muro, sobre o qual o bispo, quando de suas visitas paroquiais, lembra constantemente a necessidade de conserválo para separar o espaço sagrado do espaço profano e impedir os animais de vagar entre as sepulturas .

Túmulo de Simone de Beauvoir e Sartre no Cemitário de Montparnasse, onde pessoas de todo o mundo deixam presentes, flores e bilhetes para o casal.

No período medieval, o cemitério representará muito mais que uma necrópole, ou seja, uma cidade restrita aos mortos. Segundo Fargette-Vissière , os cemitérios medievais eram espaços bastante procurados e, porque não, cobiçados pelas pessoas da época. Neles eram desenvolvidas muitas atividades sociais:

De dia ou de noite, era neles que a população das maiores cidades europeias buscava se divertir, quando não fixar residência provisória ou definitiva. Além disso, as necrópoles eram também um espaço de cidadania, pois lá sempre estavam juízes a comunicar sentenças, e o equivalente aos prefeitos de hoje a dar publicidades a suas ações. Esses locais funcionavam ainda como cartórios a céu aberto. Não que as condições ajudassem, pois já havia acúmulo de corpos e problemas de higiene e limpeza. Mas, de fato, os cemitérios atraíam. Eram um componente da urbanidade de então, construída através dos séculos e com origens bastantes remotos.


O cemitério no bairro nobre de Recoleta, em Buenos Aires, é famoso por abrigar ex-presidentes argentinos, como Nicolás Avellaneda e Carlos Pelegrini, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Domingo Faustino Sarmiento, e o escritor Adolfo Bioy Casares. Mas é o túmulo da ex-primeira dama Eva Perón o mais procurado pelos turistas. O cemitério também se destaca pela arquitetura neoclássica e as diversas obras de arte espalhadas por seus quatro hectares.

Vimos que os cemitérios medievais eram muito animados, mas não para por aí. Alguns construíam até tabernas em suas dependências, pois esses locais representavam autênticos lugares de sociabilidade; um verdadeiro ponto de encontro para quem procurava diversão. “Os cemitérios nesta época eram completamente integrados à comunidade, localizando-se no centro da mesma, servindo depois do sepultamento como pasto para o gado, local de feiras, jogos, atalhos para outras áreas e depósitos de lixo”

Os cemitérios também eram muito procurados pelos casais, visto ser um lugar tranquilo para o namoro, e pelas pessoas que buscavam um relacionamento: os jovens “[...] cortejavam as moças à sombra dos ossários e dançavam entre os túmulos a farândola, uma dança medieval muito popular, em que vários participantes fazem uma roda, que evolui para outras formações”.

Mesmo a Igreja Católica tendo proibido muitas das práticas sociais antes desenvolvidas dentro dos cemitérios, estes ainda continuaram sendo um local de intensa agitação até o século XIX, quando os cuidados com a higiene transportará os cemitérios para longe das cidades.

Aqui no Brasil, até a primeira década do século XIX, os mortos eram enterrados apenas trajando um manto cobrindo o corpo, posto que os cuidados com a higiene não havia se tornado praxe no Brasil imperial. Nos cemitérios de pretos, nas principais cidades brasileiras, os escravos eram lançados em covas muito rasas e, depois de um tempo, os corpos ficavam expostos ao ar livre, sendo que as pessoas nem se preocupavam com isso. As pessoas conviviam pacificamente com os odores exalados pelos mortos.

O Arlington National Cemetery, cemitério militar e civil na capital americana, Washington D.C., é famoso por abrigar símbolos patrióticos dos EUA. As lapides são nomeadas em homenagem a americanos mortos em diversas guerras, desde a Guerra da Independência até a Guerra do Iraque. Também é destaque o Iwo Jima Memorial e o Túmulo do Soldado Desconhecido, que abriga três soldados não identificados. O monumento é guardado pela Guarda de Honra do Exército. Lá também estão enterrados os membros da tradicional família Kennedy: o ex-senador Robert Kennedy e o ex-presidente John Kennedy

Quando a preocupação com a higiene passou a ser tema central no império brasileiro, a partir da segunda metade do século XIX, visto que já era uma realidade na Europa, os governos passaram a aderir a esse novo padrão, reorganizando o espaço e a relação dos mortos com os vivos. Segundo Reis, “uma organização civilizada do espaço urbano requeria que a morte fosse higienizada, sobretudo, que os mortos fossem expulsos de entre os vivos e segregados em cemitérios extra-muros.” .

Nessa perspectiva, os cemitérios vão agora se afastar das cidades, estabelecendo-se a divisão entre as cidades dos vivos e dos mortos. “Hoje, em algumas cidades, a zona urbana cresceu tanto que de novo aproximou os mortos dos vivos” , como é o caso do cemitério São João Batista de Guarabira-PB, assim como o cemitério de mesmo nome, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Percebe-se, no entanto, que os cemitérios se afastaram das cidades, mas não das igrejas, sendo que cada novo cemitério construído terá sua capela situada no centro da necrópole, onde são feitas missas e orações aos mortos. Esse padrão será o que prevalecerá ainda nos dias atuais, mesmo surgindo outras tipos de cemitérios e práticas de enterramento.

Oficialmente chamado de St. James, o cemitério fica no bairro de Highgate, norte de Londres, e tem como seu habitante mais ilustre o sociólogo alemão Karl Marx, juntamente com sua esposa. Eles ficam no setor do cemitério reservado aos banidos pela Igreja Anglicana. Ao lado do túmulo, há a inscrição 'Trabalhadores de todas as terras, uni-vos' e um busto de bronze.


Referências:

ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996.

CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882.

FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009.

FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999.

MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003.

SCHMITT, Jean Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999.

[1] Graduado em História pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.

[2] MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p.13.

[3] CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882, p.10.

[4] Idem, p.13.

[5] ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, p.30.

[6] MUNFORD, Op. Cit., p.13.

[7] BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996, 133.

[8] FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009, p.49.

[9] ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003, p.16

[10] ARAÚJO, Op. Cit., p.36.

[11] SCHMITT, Jean& Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999, p.204.

[12] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.49.

[13] ROSA, Op. Cit., p.17.

[14] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.51.

[15] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.56.

[16] REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p.247.

[17] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.57.

  

Fonte das imagens: Google Imagens
Texto: Paulo Hipólito

domingo, 16 de outubro de 2016

A EUROPA NO SÉCULO XIX

OBSERVE COM ATENÇÃO AS IMAGENS ABAIXO:

Eduard Manet. O Conservatório
 (1879. Óleo sobre tela. Alte Nationalgalerie, Berlim)

Honoré Daumier - Vagão de terceira classe
1856-1858. Óleo sobre tela. Coleção particular


Ao analisarmos as pinturas acima, podemos 

observar:
  • que a primeira imagem representa pessoas da classe burguesa. Observe o homem vestido com um fraque e a mulher com um vestido longo com luvas e chapéu. 
  • Na imagem dois, vemos uma senhora com uma expressão triste, um homem com o olhar perdido e uma mulher amamentando. Pode-se notar que se trata de uma família pobre, pelas roupas e por estarem viajando em um vagão de terceira classe .
  • Concluímos que os personagens das pinturas, refletem pessoas de diferentes grupos sociais da Europa no século XIX.


A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (século XIX)



  • trouxe grandes transformações
  • aumento da população (1ª metade do séc. XIX, a pop. aumentou 43%)
  • crescimento das cidades (medo de faltar alimento)
  • utilização de máquinas no trabalho
  • mudança no modo de vida das pessoas (muitas pessoas se mudaram para outros continentes e do campo para a cidade)


TEORIA MALTHUSIANA



QUEM FOI THOMAS MALTHUS?

Thomas Malthus
  • Economista inglês ( 1766-1834)
  • Afirmava que a pop. cresce mais do que a produção de alimentos
  • Essa seria a causa da fome







O VIVER NAS CIDADES
  • cidades cresciam de forma acelerada
  • crescia os problemas urbanos
  • sujeira nas ruas
  • fumaça das chaminés das fábricas
  • falta de água
  • falta de esgotos sanitários
  • falta de praças
  • muitas doenças respiratórias
  • epidemias (cólera e febre tifóide)
Criança com cólera: diarreia aguda pela bactéria vibrião
colérico que se multiplica no intestino
Crianças com febre tifoide, causada pela bactéria Salmonella Typhi,
 transmitida por água e alimentos contaminados,ou contato com pessoas doentes 

ASSOCIAÇÕES DE OPERÁRIOS
  • lutavam por melhores condições de trabalho
  • organizavam partidos, sindicatos e associações
  • luta por direitos trabalhistas e políticos
  • surgem : o Liberalismo, o Socialismo e o Anarquismo


Karl Marx e Adam Smith


O LIBERALISMO

  • Origem: iluminismo (John Look, Montesquieu e Adam Smith)
  • Defendia divisão de poderes
  • Defendia direito à vida
  • Defendia a propriedade privada
  • Defendia a liberdade de expressão
  • Não intervenção do Estado na economia
  • Livre comércio
  • Livre concorrência
  • O Estado não deveria intervir entre patrão e empregado
O SOCIALISMO UTÓPICO
  • acreditavam que poderiam acabar com as desigualdades sociais
  • transformas a sociedade capitalista de forma pacífica
  • Robert Owen: (inglês) defendia a cooperação
     para a tingir a felicidade
  • Nomes importantes: Charles Fourrier e Robert Owen
Charles Fourrier: (francês) criticava o individualismo,
a sociedade ideal seria organizada em FALANSTÉRIOS
   
FALANSTÉRIOS: comunidades com cerca de 1800 pessoas, onde cada uma trabalharia com o que desejasse e o fruto do trabalho seria dividido com quem precisasse. Com a multiplicação dos falanstérios o país se tornaria socialista.





O SOCIALISMO CIENTÍFICO



  • Nomes importantes: Karl Marxs e Friedrich Engels
  • Apoiavam-se em estudos de Filosofia, História e Economia
  • Publicaram em 1848 - O Manifesto do Partido Comunista
  • Para eles somente a REVOLTA levaria à REVOLUÇÃO
  • Com a REVOLUÇÃO, os trabalhadores tomariam o poder da BURGUESIA
  • Surgiria a DITADURA DO PROLETARIADO (até que as desigualdades acabassem)
  • O SOCIALISMO seria substituído pelo COMUNISMO (sociedade sem classes)
  • Outra obra de Marxs: O CAPITAL (critica o capitalismo e prevê crises, e mais-valia )




O ANARQUISMO 
(ANARQUIA, do grego, significa AUSÊNCIA DE PODER)


  • Criticavam a existência de classe sociais
  • Criticavam a exploração do trabalhador
  • Criticavam a concentração de riquezas nas mãos de poucos
  • Somente a igualdade poderia desenvolver as potencialidades das pessoas
  • Destruição imediata do Estado (eram contra qualquer tipo de governo)
  • A ideia se espalhou pelo mundo
  • Chegou ao Brasil através dos imigrantes europeus
  • Influenciou movimentos operários brasileiros no início da República

REVOLUÇÕES NA EUROPA DO SÉCULO XIX

FRANÇA


  • Estudantes, trabalhadores e burgueses contra o rei Carlos X (absolutista)
  • O rei: privilegiou clero e nobreza /  censurou a imprensa / dissolveu a Câmara de Deputados
  • O rei perdeu e se exilou na Grã-Bretanha
  • REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1830 (burguesia continuou com a Monarquia)
  • Luis Felipe assume o poder da França (primeiro-ministro)
LUIS FELIPE
FIQUEM RICOS, E ENTÃO PODERÃO VOTAR! 
(Dizia Luis Felipe)

  • Governou de 1830-1848
  • favoreceu a burguesia
  • excluiu os trabalhadores
  • 1846- crise econômica, inflação e fome
  • socialistas e republicanos se unem (campanha pelo voto universal masculino)
  • ofereciam comida ao povo e pediam que gritassem  " ABAIXO O REI E VIVA A REPÚBLICA!" - (política dos banquetes)

A REVOLUÇÃO DE 1848



  • causa: o governo proíbe os "banquetes"
  • estudantes, trabalhadores e políticos vão às ruas e obrigam Luis Felipe a fugir
  • é proclamada a SEGUNDA REPÚBLICA (provisória)
  • líderes: republicanos moderados e socialistas
  • direito ao voto a homens adultos
  • fim da censura
  • criou empresas nacionais que davam emprego a desocupados
  • a burguesia não gostou
  • 1848- é eleito um conservador para presidente: LUÍS BONAPARTE (sobrinho de Napoleão)

O GOVERNO DE LUÍS BONAPARTE



  • dizia ser herdeiro político de seu tio (Napoleão)
  • deu um golpe de Estado (dezembro de 1851)
  • fez um plebiscito
  • foi eleito cônsul por 10 anos
  • 1852- novo plebiscito
  • foi eleito com 95% dos votos
  • torna-se imperador da França com o título de Napoleão III
O SEGUNDO IMPÉRIO DE NAPOLEÃO III


  • incentivou a indústria e transportes
  • investiu em obras públicas
  • diminui o desemprego
  • apoiado pelo Exército e burguesia - poder quase absoluto
  • conquistou na África (Argélia e Senegal)
  • conquistou na Ásia (Síria, Indochina e parte da China)
  • na América (México)
  • guerra França X Prússia (Alemanha)
  • Napoleão III foi vencido e preso
  • instalou-se a Terceira República

A COMUNA DE PARIS 
(1ª experiência de autogoverno popular no Ocidente)



  • Thiers: novo governo da França
  • aceitou a paz imposta pelos prussianos (alemães)
  • o povo de Paris se revolta e toma a prefeitura
Louis Adolphe Thiers estadista e historiador francês, 
foi primeiro ministro sob o reinado de Luís Felipe e 
presidente da república francesa durante a 3ª república.

  • Thiers e seus auxiliares fogem para Versalhes (palácio à 20km de Paris) 
  • o novo governo foi chamado : COMUNA DE PARIS
  • socialista e popula (seus membros eram formados por 25 operários)
  • Medidas da COMUNA: ensino gratuito e obrigatório / creches e jardim da infância para filhos de trabalhadores / congelou preços de aluguéis a gêneros de primeira necessidade
  • Thiers pede ajuda a Otto Von Bismark da Prússia
 Otto Von Bismark 

  • fuzilou 20 mil trabalhadores e deportou 13 ml trabalhadores para colônias francesas

ITÁLIA


  • Início do século XIX- Itália era um território todo dividido
  • costumes e dialetos diferentes
  • Congresso de Viena (1814-1815)
  • O congresso decide que os territórios italianos seriam dominados pela Áustria
  • Giuseppe Mazzini fundou A JOVEM ITÁLIA (1830)
  • A Jovem Itália era secreta e defendia a unificação, independência e República na Itália
  • Itália X Áustria
  • Em Milão houve boicote a produtos austríacos
  • Milão X Áustria - Milão perdeu
  • Surge o RESORGIMENTO (para a Itália voltar aos tempos de glória)
  • Líderes: Victor Emanuel II e o conde de Cavour (1º ministro)
Victor Emanuel II

 Conde de Cavour

  • Defendiam a unificação da Itália e uma monarquia constitucional
  • Modernização da economia
  • pede ajuda a França de Napoleão III X Áustria
  • Vencem a guerra
  • Áustria foi obrigada a devolver territórios aos italianos
  • Novo plebiscito: Emanuel II proclamado Rei da Itália(1861)
  • 1866- Veneza é anexada a Itália
  • 1870- Roma anexada ( passou a ser capital em 1871)

 A QUESTÃO DE ROMA

Papa Pio IX
  • O Papa Pio IX não aceitou perder territórios da Igreja
  • rompe relações com o governo italiano
  • fecha-se no Vaticano
  • Surge a Questão Romana
  • 1929- assinam o Tratado de Latrão (acordo entre o Papa Pio IX e Benito Mussolini)
  • Com esse tratado, cria-se o Estado do Vaticano, dirigido pela Igreja Católica ( o menor país do mundo)


ALEMANHA

Congresso de Viena
  • 1815 - Congresso de Viena
  • Criada a Confederação Germânica (39 Estados independentes)
  • Áustria (contra a unificação) e Prússia(a favor da unificação) disputavam a liderança política
  • 1834- a Prússia criou uma união alfandegária para a livre circulação de mercadorias (ZOLLVEREIN)
  • aumentou o comércio entre estados alemães, impulsionou a indústria e as ferrovias.
  • a Prússia se tornou o Estado mais industrializado da Confederação Germânica
  • 1860- assume a Unificação alemã
  • as mercadorias circulavam livremente , exceto na Áustria
  • A Áustria enfraqueceu

BISMARCK: O CHANCELER DE FERRO
  • 1862- nomeado 1º ministro, Bismarck (nomeado pelo rei Guilherme I, rei da Prússia)
  • Bismarck incentivou a indústria, modernizou o exército e fez uso de guerra para a unificação (3 guerras)
  • 1871- a Alemanha tem um progresso extraordinário
  • duas décadas depois, já era a 1ª potência industrial da Europa





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