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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

PROFESSORES E PROFESSORAS DE HISTÓRIA SÃO MESMO DOUTRINADORES?



Acusação é infundada e revela desconhecimento não só do processo de ensino-aprendizagem, como também do conhecimento histórico.


 Reino de Kush (ou “Reino de Cuxe”) foi um antigo reino africano fundado 1000 a.c. Ele estava localizado ao sul do Egito, em uma região que se chamava Núbia e que hoje corresponde ao Sudão. Essa sociedade africana se tornou tão importante que, em certo ponto de sua história, chegou a dominar o Egito. Certa vez, durante uma aula sobre esse reino, perguntei à turma se haveria alguma relação, legado ou aprendizagem que nós pudéssemos ter, em nosso presente, com o Reino de Kush. Ao fazer isso, minha intenção era problematizar o processo colonizador europeu na África e na Ásia, no século XIX, bem como os efeitos terríveis desse processo para os povos daqueles continentes até hoje. O exercício foi muito produtivo. Durante a conversa, exploramos a questão do racismo estrutural, a nossa visão de um Egito majoritariamente branco e da violência, no Brasil contemporâneo, contra os negros e suas expressões religiosas e culturais.

Dias depois desta aula, fiquei sabendo que o familiar de um dos alunos havia nos criticado em uma rede social. Segundo seu entendimento, eu estaria extrapolando nosso papel como professor e “doutrinando” a turma. A pessoa acreditava que a reflexão sobre o Reino de Kush era um modo de criar “acirramentos políticos” e de “tomar partido” (mas de que ou de quem?), além de minimizar a importância dos brancos na construção da nossa sociedade. Logo, eu estaria doutrinando os estudantes, pois estaria realizando uma interpretação e não uma descrição dos fatos do passado, “livre de elementos ideológicos”, como ela acreditava que deveria ser uma aula.

Esse acontecimento não é incomum, infelizmente: a acusação de que professores e professoras de História doutrinam suas turmas se tornou muito frequente nos últimos anos. Mas e aí, os docentes estão realmente se valendo do seu lugar na sala de aula para “doutrinar” suas turmas? A resposta é não, e vamos tentar, a partir de agora, explicar porque isso não é nem um pouco verdade.

Doutrinas




Em primeiro lugar, faz parte do currículo escolar de História explicar aos alunos o que são “doutrinas”. Mas o que são doutrinas?  De acordo com os principais dicionários da Língua Portuguesa, uma doutrina consiste em um “conjunto coerente de ideias de um sistema filosófico, político, religioso ou econômico a serem transmitidas ou ensinadas”. Ou seja, doutrina nada mais é do que um corpo de ideias. Cada doutrina tem uma interpretação das coisas, seja no âmbito político, religioso e econômico etc. E a história das sociedades está cheia de doutrinas. Não é possível conhecer uma sociedade do passado sem passar pelas doutrinas que a nortearam. Portanto, a aula de História deve ensinar doutrinas diversas e se o faz é porque há, no mundo, inúmeros sistemas de pensamento e formas de entender a realidade.

Apesar disso, o Ensino de História, no Brasil e em vários outros países, nem sempre conseguiu apresentar muito bem aos estudantes da disciplina a diversidade de doutrinas que caracterizaram as sociedades no passado. Por muito tempo, o Ensino de História privilegiou doutrinas e visões de mundo marcadamente europeias, silenciando sobre doutrinas de outros povos e culturas. Vale dizer, por exemplo, que durante muito tempo as aulas de história não discutiam a cultura e as doutrinas religiosas de matriz africana, dedicando-se, quase exclusivamente, às religiões e doutrinas grega, romana e cristã.

Isso acontecia porque a aula de História era afetada por uma visão de mundo específica: a do agente colonizador europeu. Durante séculos, o Brasil foi colonizado por uma nação europeia, e isso deixou marcas profundas em nossa sociedade, a começar pela forma como entendemos a história. Acostumamo-nos, por exemplo, a ver os povos africanos e os povos indígenas como povos atrasados, passivos e sem protagonismo, enquanto que os povos europeus seriam aqueles que fizeram a humanidade realmente avançar, produzindo uma cultura “universal”.

Há algumas décadas, essa forma de escrever a história mudou. Historiadores e historiadoras em todo o mundo passaram a estudar, pesquisar e escrever muito mais sobre outros povos e culturas, e recentemente, essa “nova história”, muito mais plural e representativa, chegou, ainda que timidamente, aos livros didáticos. Acontece que, como toda mudança, essa gerou desconforto. Algumas pessoas entenderam que falar, por exemplo, de religiões de matriz africana, era o mesmo que diminuir a importância das religiões cristãs, ou ainda, que explorar a história dos povos da Ásia e os seus feitos ao longo do tempo, era o mesmo que ignorar a cultura europeia. O professor, ao fazer isso, estaria “doutrinando” suas turmas.

Ora, nada mais equivocado do que esse pensamento. O que essa “nova história” fez foi corrigir um enorme erro nas narrativas que eram ensinadas aos alunos e alunas. Ela trouxe diálogo e múltiplos olhares para sala de aula, tornado o ensino de história muito mais interessante e próximo da realidade dos alunos. Não há nada de doutrinação nisso.  

    

Não há como “recuperar o passado como ele realmente foi”



Em segundo lugar, não é possível apenas descrever os fatos do passado “tal como ocorreram”. Os historiadores falam sobre o passado, mas não o conseguem reproduzir. O que passou, passou. A priori, não existe um “fato histórico”. São os historiadores, ao escreverem sobre o passado, que determinam o que será um “fato histórico” e o que não será “fato histórico”. Mas calma, isso não quer dizer que o historiador seja um ficcionista. O que estamos dizendo é que o tempo passado é sempre mediado por esse historiador, que é uma pessoa carregada de subjetividades, métodos (que podem ser bem diferentes) e ideologias. Mesmo narrativas que parecem ser puramente descritivas possuem a intervenção do historiador, afinal de contas, ele poderia ter escolhido determinados eventos ao invés de outros.

No final do século XIX, muitos historiadores acreditavam que poderiam realmente descrever o passado exatamente como ele foi. Mas ao longo do século XX, os historiadores abandonaram essa visão ingênua da profissão. Então, quando falamos de história, falamos de um conhecimento sobre o passado que é sempre mediado, ou ainda, de uma narrativa que obedece a uma determinada visão de mundo. Assumir isso não equivale a assumir qualquer tipo de doutrinação por parte do professor, mas que a história é feita por pessoas e essas pessoas não estão alheias ao mundo ao seu redor. Professores de história possuem diferentes visões do passado, assim como professores de biologia possuem diferentes visões sobre a vida e arquitetos possuem diferentes visões sobre como as cidades devem ser construídas.

Aqueles que acusam os professores de história de doutrinação continuam acreditando, como alguns historiadores do século XIX, que é possível escrever a história como “ela realmente aconteceu”. Em outras palavras, acreditam que existe uma forma de ir ao passado e produzir sobre ele uma narrativa que seja puramente descritiva, sem qualquer tipo de mediação, sem qualquer interferência de natureza política ou ideológica, quase como um computador. Mas mesmo o mais potente dos computadores seria incapaz de produzir uma história livre de algum tipo de “lente”, pois esse computador precisaria ter em seu banco de dados uma série de “fatos históricos”, e “fatos históricos”, como já vimos, não nascem assim, eles precisam ser assim considerados por uma pessoa, com todas as suas preferências e visões de mundo.

A História é uma ciência especializada em estudar o passado e a realidade em geral. Ela cria interpretações e, ao fazer isso, permite que os estudantes e as pessoas em geral possam pensar sobre o que ocorreu no passado e, ao mesmo tempo, sobre o que ocorre no presente. O passado não é acessível por uma máquina fotográfica que retrataria com precisão tudo o que ocorreu. Ele é uma fonte de onde criamos interpretações que nos ajudam a entender a nós mesmos.

Por exemplo, se pensarmos sobre o passado da medicina ocidental, conseguiremos entender como, num processo de autocrítica constante, a pesquisa permitiu que pudéssemos compreender como as mulheres foram vistas pelos discursos médicos como um ser que deveria ser controlado e, muitas vezes, internadas em hospitais psiquiátricos. Saber e interpretar esse passado permitirá aos estudantes que olhem não apenas para a história da ciência, mas para si mesmos e para as relações que eles estabelecem com as mulheres. A ideia, portanto, é aprender para construir futuros melhores do que o nosso presente. Quem sabe um futuro sem feminicídios. 

Tábulas rasas?




Em terceiro lugar, precisamos considerar que os estudantes não são “tábulas rasas”, incapazes de dialogar, de ter opiniões e elaborar críticas. As crianças e os jovens são seres abertos a aprender com o mundo e o fazem através de intensas trocas, nunca apenas passivamente aceitando tudo aquilo que se lhes diz ou ensina. A ideia de doutrinação é completamente vazia e se sustenta na frágil ideia de que os mais jovens têm menos condições de aprender sobre a vida. Ora, pois, são justamente os jovens que têm mais capacidade de aprender e entender o mundo. Quem assistiu a uma aula de História sabe muito bem que o debate e o diálogo aberto ocorrem entre estudantes e professores, na busca de compreender melhor o que ocorreu no passado, mas também como as coisas podem ser melhores no presente. É nessa aula de História que crianças e jovens poderão, ao exercitar o diálogo, desenvolver sua competência crítica, elemento central para sua vida e para a vida da sociedade.

O tom acusatório com que apontam professores de História de doutrinadores apenas tem o objetivo de continuar, contraditoriamente, a mostrar um mundo baseado em apenas uma doutrina, uma mesma visão de mundo, àquela legada, através do genocídio e da escravização, pelo colonizador.

Uma aula de História é um espaço público onde se aprende sim doutrinas e teorias diversas, mas é, sobretudo, o lugar onde se aprende a conviver, a difícil arte da convivência, do respeito e do diálogo. Um jovem que não vai à escola e não frequenta uma aula de História onde pode debater e discutir com seus colegas e professores, não aprende a entender a pluralidade do mundo. Uma criança ou um jovem não são “tábulas rasas”, incapazes de dialogar, de contestar ou de resistir. Uma aula sobre o Reino de Kush permitiu a eles muito conhecimento sobre um povo que esteve, por séculos, afastado do direito de ser visto como um povo com cultura, vida e complexidade. Mas, também despertou neles muita curiosidade para saber por que o Reino de Kush não fazia parte dos currículos de História ou por que não se estudava/estuda as religiões de matriz africana em sala de aula.

Como citar este artigo

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de; MULLET, Nilton. Professores e professoras de história são mesmo doutrinadores? (Artigo) In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/professores-e-professoras-de-historia-sao-mesmo-doutrinadores/. Publicado em: 27 jul. 2021. ISSN: 2674-5917.

domingo, 27 de dezembro de 2020

O PROPOSITAL ATRASO ECONÔMICO DO BRASIL

 



Por Isabel Aguiar (historiadora / professora)

Por volta de 1820, pouco antes da Independência, o Brasil era mais rico do que a Austrália e quase tão rico quanto a Suécia. Passados três séculos, australianos e suecos lideram os rankings de desenvolvimento humano e vivem em sociedades que estão entre as mais avançadas do mundo.

 



Por que o Brasil ficou para trás? 




Por que não enriqueceu como os Estados Unidos, um país também de passado colonial escravocrata? 

Tais questões, há anos, ocupam o trabalho de historiadores. A ideia é a de que a economia brasileira especializou-se na produção de mercadorias básicas, por isso industrializou-se tardiamente.

 Porém, para muitos historiadores e economistas, a verdadeira causa da pobreza brasileira em relação a europeus e americanos foi o atraso no desenvolvimento do capital humano.

Um exemplo disso, foi na segunda metade do século XIX, enquanto a alfabetização se tornou obrigatória nos Estados Unidos, na Suécia e em muitos países europeus, o Brasil era um mar de analfabetos.  A educação era algo exclusivo da elite. Suécia e Estados Unidos tinham 80% da população alfabetizada em 1870 . A baixa escolaridade representou um obstáculo ao desenvolvimento. Os trabalhadores eram incapazes de realizar trabalhos mais elaborados.




O atraso econômico do Norte e Nordeste do Brasil em relação ao Sul e Sudeste também decorre do diferencial na educação e do atraso no desenvolvimento do capital humano de maneira geral.

É a luta de classes que gera um determinado equilíbrio e a partir desse equilíbrio as instituições são formadas.  A diferença na imigração, ou seja, no capital humano dos imigrantes, explica praticamente toda a diferença de renda que havia entre o Brasil e os Estados Unidos em 1900.

 


A elite brasileira foi muito esperta. Instituiu o ensino superior privado gratuito para os seus filhos, mas não investiu no ensino público básico. Para deixarmos de ser um país atrasado, precisamos desmontar esse tipo de privilégio.


Charge: A elite brasileira. Por Ribs


Devemos destacar o exemplo
  da China que é hoje (ano 2020)  a segunda maior economia do mundo, caminhando para, em menos de uma década, superar os EUA, tanto como economia, quanto em desenvolvimento científico e tecnológico, com todas as implicações daí decorrentes para a geopolítica e as estratégias de segurança e hegemonia que transitam da atual unipolaridade (herança da Guerra Fria) para uma multipolaridade cujos contornos ainda não podem ser definidos.

 


Esta China, potência econômica, política e militar global que não cessa de crescer, era, em 1949, um país paupérrimo, arruinado pelo colonialismo europeu, invadido e saqueado ao longo de séculos, e, naquela altura, às voltas com uma revolução social. Era um país de camponeses miseráveis, quando nós brasileiros já aspirávamos à industrialização e à urbanização.

 

POR QUE O BRASIL NÃO SE DESENVOLVE?




 

  • 1- O Brasil de hoje suspende os investimentos públicos de um modo geral.
  • 2- O Brasil hoje suspende investimento em infraestrutura de forma específica. 
  • 3- O Brasil reduz os gastos em educação e ciência e tecnologia, 
  • 4- O Brasil  renuncia a projetos estratégicos, como a cibernética e o programa espacial, fundamentais para o desenvolvimento e a segurança de qualquer país de nosso porte, ou que, como já almejamos, pretenda desempenhar um papel de sujeito no concerto internacional. 
  • 5- Nossa balança comercial retorna aos contornos do início do século passado (séc. XX), dependente da exportação de matérias-primas sem valor agregado, antes pau-brasil, ouro, prata e pedras preciosas das minas gerais, depois açúcar e depois café; agora soja e carne e minério de ferro.
  • 6- Nossa participação na economia global atinge o pior nível em 38 anos; a fatia do País em bens e serviços é de 2,5%, contra um pouco mais de 3% em 2011.

  • 7- No plano da educação, o projeto de nossas classes dominantes, das quais o bolsonarismo é expressão obscena, é destruir com a escola pública e o ensino gratuito, quando a educação, isto é, o acesso ao conhecimento, é o único instrumento que pode dar ao pobre chances de ascensão social e ao País condições de competitividade num mundo.
  • 8- O Brasil perde a competitividade no mundo que já vive a chamada 4ª Revolução Industrial (perdemos o tempo de todas as outras) assinalada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

 


 

Como lembrava Darcy Ribeiro, a tragédia da educação brasileira não se deve a erros de planejamento. Mas, sim, a seus acertos. Esse fracasso é o prêmio de um projeto bem sucedido de nossas perversas classes dominantes, para quem o desenvolvimento nacional ou a melhoria da qualidade de vida de nosso povo jamais foram uma questão central.


AGORA VAMOS VER UMA ENTREVISTA ESCLARECEDORA  SOBRE O ATRASO DO BRASIL COM O SOCIÓLOGO JESSÉ SOUZA , AUTOR DO LIVRO " A ELITE DO ATRASO".   VALE A PENA VER, OUVIR E REFLETIR .... 









quarta-feira, 4 de novembro de 2020

10 PERGUNTAS PARA ENTENDER AS ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS




  • Você provavelmente já sabe que as eleições americanas são, para usar um termo extremamente técnico, uma bagunça. É bem difícil de entender para quem, como os brasileiros, raciocina com base numa eleição direta, em que cada eleitor tem um voto, e o candidato com mais votos vence.


VAMOS NOS BASEAR PELAS ELEIÇÕES DE 2020



  • O candidato democrata e ex-vice de Barack Obama, Joseph Biden, é apontado pelas pesquisas como favorito para derrotar o presidente Donald Trump. 
  • A apuração acontece estado a estado, e não nacionalmente, como no Brasil. 
  • Cada estado tem suas regras e um ritmo diferente para contar os votos. 
  • A pandemia de Covid-19 aumenta ainda mais a incerteza. 


ALGUMAS PERGUNTINHAS IRÃO TE AJUDAR A ENTENDER MELHOR



E lembre-se:  os votos são distribuídos entre democratas (cujo símbolo é um burro) e republicanos (cujo símbolo é um elefante).

 PERGUNTA 1 : 



Por que quem recebe mais votos da população nas eleições americanas não necessariamente ganha a eleição?

 

RESPOSTA: 

  • Porque os EUA não foram desenhados para ser uma democracia. Os autores da Constituição dos Estados Unidos morriam de medo da “ditadura da maioria”. Acreditavam em uma República governada por uma elite intelectual. Nesse sistema, o principal líder do país, o presidente, não seria eleito pelo voto do povo.

 

  • A ideia era que o eleitor de cada estado escolhesse alguns representantes para que comparecessem a uma conferência nacional, chamada de colégio eleitoral. Nessa conferência, esses representantes – os delegados – debateriam entre si e, juntos, escolheriam um sujeito que se tornaria presidente.

 

  • Mal se passaram trinta anos da promulgação da Constituição, em 1787, até que os delegados começassem a vincular seus votos no colégio eleitoral a candidatos específicos. Ou seja, em vez de dizerem que escolheriam o melhor homem (e, naquela época, era necessariamente um homem) para governar o país depois de longos e complexos debates, os delegados já se comprometiam de cara a votar num determinado candidato.

 

  • Os estados aprovaram leis obrigando todos os delegados daquele estado a votar no mesmo candidato – e esse candidato tinha de ser, obrigatoriamente, o que recebeu a maioria dos votos dos eleitores naquela unidade federativa.

 

  • Na década de 1830, já estava em vigor o sistema atual, uma mistura de voto popular nos estados com o colégio eleitoral que os autores da Constituição haviam pensado. 
Basicamente, o sistema atual funciona assim: 

  • ocorre uma eleição em cada estado, em que os eleitores votam nos seus candidatos favoritos para a Presidência. 
  • Mas, em vez de somarem a votação de cada estado para encontrarem o vencedor em todo o país, cada estado (e o Distrito de Columbia que, como o nosso Distrito Federal, não é um estado formalmente) calcula seus votos separadamente. 
  • Cada uma dessas unidades tem um número exato de delegados. No colégio eleitoral, esses delegados têm, necessariamente, de votar no candidato que recebeu mais votos naquele estado. 
  • É a soma dos votos de cada unidade federativa no colégio eleitoral que determina o vencedor das eleições presidenciais americanas.

 

Há duas exceções à regra de que o vencedor leva todos os delegados daquele estado: 

  • Maine e Nebraska. 
  • Neles, a votação é conduzida distrito a distrito. 
  • Vai um delegado para o vencedor de cada distrito e um, de bônus, para quem ganhou a eleição no estado inteiro. 
  • Há, também, casos de delegados que, quando chegam ao colégio eleitoral, se recusam a votar conforme o eleitorado do seu estado.
  • Mas esses casos são raros o bastante para nunca terem feito qualquer diferença numa eleição presidencial.

 

PERGUNTA 2 - 



Como é definido o número de delegados de cada estado?

 

RESPOSTA: 

  • Cada estado tem direito a tantos delegados quantos assentos tem no Congresso americano, somando Câmara dos Deputados e Senado. 
  • Por exemplo, a Califórnia tem 53 assentos na Câmara e dois no Senado. Tem, portanto, 55 delegados no colégio eleitoral. 
  • A exceção é o Distrito de Columbia, que não tem representação no Congresso mas tem três delegados, mesmo assim.
  • Os assentos na Câmara são distribuídos mais ou menos de acordo com a população de cada estado. 
  • Quanto mais populoso o estado, maior sua delegação. 
  • Mas há limites. Nenhum estado pode ter menos que um deputado, e o número máximo de deputados na Câmara é 435. 
  • O número de assentos no Senado não é proporcional à população. Cada um dos 50 estados tem dois senadores. Isso cria uma distorção, porque os estados mais populosos têm, no Senado, o mesmo número de representantes dos estados menos populosos – e isso vai se refletir na relação entre o total de eleitores representados por delegado no colégio eleitoral.

  • O colégio eleitoral tem 538 delegados, e vence quem tiver maioria absoluta, com pelo menos 270 votos.

 

PERGUNTA 3 - 



O que são estados-pêndulo?

 

  • O sistema bipartidário americano faz com que a maior parte do eleitorado – dois terços, mais ou menos – saiba bem a que partido pertence. 
  • Normalmente, os americanos ou são Democratas ou são Republicanos, e dificilmente mudam seu voto de uma eleição para outra.

  • Mais ou menos a mesma coisa acontece com os estados. A maioria do eleitorado na maior parte dos estados vota no candidato do mesmo partido há várias eleições. 
  • Isso faz com que o resultado seja previsível nesses casos. Massachusetts, por exemplo, é famoso por sempre votar no candidato Democrata. 
  • Do mesmo modo, todo mundo dá como certo que Trump vencerá o pleito no Mississippi.

  • Por isso que a atenção das campanhas fica voltada para os poucos estados em que há um número grande o suficiente de eleitores indecisos. São os chamados estados-pêndulo.

 

PERGUNTA 4 - 



Quais são os estados-pêndulo em 2020?

 

  • A lista de estados-pêndulo muda de uma eleição para outra. 
  • Os estados de Michigan, Wisconsin e Pensilvânia eram dados como apoiadores certos dos Democratas até 2016, quando Trump surpreendeu a todos e levou a maioria dos votos neles. Por isso, todos os olhares estão voltados para eles em 2020. Se Trump perder nesses estados, será praticamente impossível que seja reeleito.

  • Há outros estados que tendem a votar em Republicanos, mas que podem pender para os Democratas este ano: Ohio, Iowa, Arizona, Carolina do Norte, Geórgia, Flórida e Texas. 
  • Se Biden ganhar em qualquer um deles, é quase certo que se torne o novo presidente americano. Se ganhar na maioria deles, vai ser uma vitória de lavada.

 

PERGUNTA 5 - 



Quem é o favorito em 2020?

  • Segundo as pesquisas, Joe Biden. Todos os modelos matemáticos que tentam prever o resultado da eleição, como o do jornalista e estatístico Nate Silver, do site Five Thirty Eight, ou o da revista The Economist, dizem que o democrata tem mais ou menos 90% de chances de ganhar. 
  • Não significa, claro, que a eleição dele seja certa. Eventos com uma probabilidade de 10% de chance de acontecer ainda assim acontecem com bastante frequência – obviamente, uma em dez vezes. Mas uma chance de 10% é o dobro das chances de tirar dois pares numa mão de poker. Todo mundo que já jogou poker sabe que isso acontece o tempo todo.

 

PERGUNTA 6 - 



Dá para confiar nas pesquisas de intenção de voto?


  • Os principais institutos de pesquisa brasileiros (Ibope e Datafolha) entrevistam o eleitor pessoalmente, mas os americanos preferem o telefone ou mesmo a internet. 
  • Também usam amostragens menores, o que aumenta a margem de erro.

  • Não é incomum que as pesquisas americanas tenham resultado diferente das urnas em até 4 pontos percentuais. 
  • Foi o que aconteceu em 2016. Foi um erro – de 3 pontos, naquele ano – dentro da margem histórica. 
  • De qualquer forma, as pesquisas ao menos nos dão uma ideia de como está a corrida eleitoral hoje. 
  • Fique atento às pesquisas estado a estado, já que o voto nacional, no caso americano, não vale nada.

 

PERGUNTA 7 - 



2020 pode repetir 2016?

 

  • A vantagem de Biden em relação a Trump é mais que o dobro da vantagem que Hillary tinha na véspera da eleição. Ou seja, ainda que as pesquisas errem em 2020 pelo mesmo tanto que erraram em 2016, Biden será o novo presidente dos EUA.

  • Além disso, os institutos de pesquisa tomaram medidas para corrigir os erros de 2016. O que parece ter acontecido naquele ano é que os eleitores com menor nível educacional favoreceram Trump. Ocorre que essas pessoas também são mais difíceis de responder a pesquisas de opinião pública. 
  • Os institutos, em 2016, não tentaram corrigir esse problema – seja entrevistando um número maior de pessoas sem diploma universitário ou dando peso maior àqueles que conseguiram entrevistar. Esse erro não deve se repetir em 2020.

  • Em 2016, havia muitos eleitores indecisos. Neste ano, pouca gente diz estar em cima do muro. 
  • Por fim, muita gente já votou em 2020, o que diminui a chance de as pessoas dizerem uma coisa para os institutos de pesquisa e se comportarem de outro jeito na urna.

 

PERGUNTA 8 - 



Muita gente já votou. Como é possível?


  • Cada estado tem suas próprias regras para o pleito, e vários deles permitem que os eleitores votem antecipadamente. 
  • Em alguns, as seções eleitorais ficam abertas por até um mês antes do dia final da eleição. Muitos eleitores, portanto, já votaram. 
  • É melhor pensar no dia da eleição como um prazo final e não como efetivamente num dia em que todos os americanos vão às urnas.

  • Vários estados também permitem que o eleitor receba a cédula eleitoral em casa, a preencha manualmente, e a envie para o governo por correio. 
  • Esse sistema cresceu muito este ano por conta da pandemia. A fim de diminuir o número de pessoas nas seções eleitorais, alguns governos estaduais mandaram cédulas para a casa de todos os eleitores cadastrados.

 

PERGUNTA 9 - 



Por que tanta gente fala em “supressão eleitoral”?


  • O voto nos Estados Unidos é optativo. 
  • Mas nem todo mundo tem as mesmas chances de votar. 
  • Pobres, negros, latinos e pessoas com menor nível educacional comparecem às urnas em proporção menor.

  • Ocorre que esses grupos também tendem a ser Democratas. Por isso, o Partido Democrata tem feito campanhas para aumentar o acesso do eleitor à urna, seja cadastrando essas pessoas como eleitores, seja encorajando que votem a distância, seja incentivando que compareçam às seções no dia da eleição.

  • Os Republicanos vêm tentando restringir a votação desses eleitores. Entre as medidas com este fim estão a criação de leis estaduais que aumentam a burocracia para se cadastrar como eleitor, o fechamento de seções eleitorais, a restrição da votação por correio, o encurtamento do período de votação antecipada ou, em casos mais extremos, a tentativa de suspender a contagem de alguns votos. 
  • No fim de semana passado, por exemplo, um juiz do Texas ligado ao partido determinou que cerca de 127 mil cédulas da cidade de Houston fossem jogadas fora sem que tivessem sido contabilizadas.
  •  A decisão foi suspensa pela Suprema Corte do estado, mas é um indício do que os Republicanos podem fazer caso a eleição seja muito apertada.

  • Afinal, há precedente para isso. 
  • Em 2000, George W. Bush havia ganhado a Flórida por apenas 537 votos. 
  • O candidato Democrata, Al Gore, pediu uma recontagem dos votos – um pedido que é previsto em lei quando a margem de vitória de um candidato é muito pequena. 
  • A recontagem já começara quando a Suprema Corte americana simplesmente a suspendeu e decretou a vitória de Bush.

 

PERGUNTA 10 - 



Quando saberemos o resultado da eleição de 2020?

 

  • A apuração da eleição é feita pelos estados. 
  • Alguns são mais eficientes que outros. 
  • O aumento na votação pelo correio deve tornar o processo mais lento, já que essas cédulas demoram mais para serem contadas.

  • De qualquer forma, provavelmente haverá indícios de quem será o vencedor. 
  • Os estados da Flórida, Arizona, Geórgia e Carolina do Norte têm fama de contabilizar seus votos rapidamente. Se Biden ganhar em qualquer um deles, é quase certo que terá sido eleito.

  • Mas, se Trump sair vitorioso, então teremos de esperar o resultado em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. O resultado nesses estados pode sair só na sexta-feira (06/11/2020).

 

Basicamente, o resumo é o seguinte: 

  • se Biden ganhar confortavelmente, como preveem as pesquisas, o resultado deve ser conhecido logo no início da noite de hoje (04/11/2020).
  •  Se a eleição estiver mais apertada, o resultado pode demorar bastante. 
  • Se for apertadíssima, então a briga vai para o Judiciário, onde os Republicanos tradicionalmente se saem melhor.

 


Fonte: piaui.folha.uol

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

EXPLOSÕES EM BEIRUTE: TERRORISMO OU ACIDENTE?

Forte explosão atinge Beirute e deixa ao menos 10 mortos ...


A HISTÓRIA DO LÍBANO

Síria - País do Oriente Médio - InfoEscola

  • O Líbano é um país localizado na extremidade leste do mar Mediterrâneo, na Ásia Ocidental, numa região que faz ligação entre esse continente e a Europa. 
  • Faz fronteira com a Síria ao norte e a leste, com Israel ao sul e a oeste e com Chipre pelo mar Mediterrâneo. 
  • No cruzamento da bacia do Mediterrâneo, o Líbano é uma das regiões de antigas civilizações, como fenícios, assírios, persas, gregos, bizantinos e turcos otomanos, sendo que sua rica história formou a identidade cultural única em diversidade étnica e religiosa do país.

 

A CIVILIZAÇÃO 


Beirute - Líbano, no Oriente Médio
Beirute  Líbano


  • Os primeiros indícios de civilização no Líbano remontam há mais de 7 000 anos de história registrada. 
  • O Líbano foi o local de origem dos fenícios, uma cultura marítima que floresceu durante quase 2 500 anos (3 000-539 a.C.). 
  • Após o colapso do Império Otomano após a Primeira Guerra Mundial, as cinco províncias que compõem o Líbano moderno ficaram sob mandato da França. 
  • O Líbano estabeleceu um sistema político único em 1942, um mecanismo de partilha de poder com base em comunidades religiosas.
  •  Foi criado quando os franceses expandiram as fronteiras do monte Líbano, que era maioritariamente habitado por católicos maronitas e drusos, para incluir mais muçulmanos. 
  • O país ganhou a independência em 1943, e as tropas francesas se retiraram em 1946.

 


ANTES DA GUERRA CIVIL



Beirute no Líbano - Fotos e Imagens | Turismo - Cultura Mix

  • Antes da Guerra Civil Libanesa (1975-1990), o país vivia um período de relativa calma e prosperidade, impulsionada pelo turismo, agricultura e serviços bancários. Por causa de seu poder financeiro e diversidade, o Líbano era conhecido em seu auge como o "Suíça do Oriente".
  •  O país atraiu um grande número de turistas, tal que a capital Beirute era referida como "Paris do Oriente Médio". 
  • No final da guerra, houve grandes esforços para reanimar a economia e reconstruir a infraestrutura do país.
 Pontos Turísticos do Líbano: Top 10 Mais Impressionantes! | Guia ...
  • Até julho de 2006, o Líbano desfrutou de uma estabilidade considerável, a reconstrução de Beirute estava praticamente concluída e um número crescente de turistas se hospedavam nos resorts do país.
  •  Em seguida, a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah causou a morte de civis e significativos danos na infraestrutura civil do Líbano. O conflito durou de 12 de julho daquele ano até um cessar-fogo patrocinado pela ONU em 14 de agosto.
 

  • A 4 de agosto de 2020, Beirute foi fortemente abalada por duas fortes explosões que provocaram mais de 100 mortos e milhares de feridos. Na origem das explosões estiveram 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas num depósito do porto de Beirute.


 OS INIMIGOS DO LÍBANO



Irã pode cancelar acordo nuclear caso a ONU aprove novas sanções ... 

  • Uma explosão em uma cidade do Oriente Médio sempre chama a atenção das pessoas para a possibilidade de um atentado terrorista.

 

  • Terça-feira, dia 4 de agosto de 2020, é um dia que ficou marcado por uma gigante explosão em Beirute, capital do Líbano, que causou pânico e destruição na região portuária.

 

  • O último ataque terrorista lá tinha sido em 19 de novembro de 2013, reivindicado pela Al-Qaeda e contra a embaixada do Irã, com 23 mortos e 150 feridos.

 

FOI ATAQUE TERRORISTA?


Porto de Beirute: saiba sobre a explosão no Líbano 
 

  • ​Primeiro, é importante lembrar que, de imediato, não se tratava de um ataque terrorista principalmente porque, para sê-lo, algum grupo radical precisa assumir publicamente a sua autoria, o que não aconteceu.

 

  • Além disso, uma explosão em um armazém portuário não tem, em si, um simbolismo político, como quando ocorre a explosão de uma embaixada.

 

  • É fato que o Líbano vem passando por uma crise econômica, mas, geralmente, os ataques terroristas no Oriente Médio ocorrem por organizações insatisfeitas com a política adotada pelo seu governo sobre questões internacionais e têm mais motivação religiosa do que econômica.

 

  • No caso do Líbano, o principal grupo radical é o Hezbollah, que hoje é aliado do presidente e não teria motivo para fazer tal ataque.

 

  • Por outro lado, é fato que o xiita Hezbollah apoia Bashar Al-Assad na Síria, o que o torna inimigo dos sunitas Al-Qaeda e Estado Islâmico.

 

  • Porém, o conflito sírio vem perdendo forças nos últimos anos e os grupos inimigos já fizeram acordos de trégua desde 2017.

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A POLÍTICA EXTERNA

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  • Na política externa, o principal inimigo do Líbano - árabe e muçulmano -  é Israel  - hebreu e judeu.

 

  •  No dia 27 de julho de 2020, Israel informou que impediu um ataque do Hezbollah na fronteira com o Líbano, por causa da região de Monte Dov, que é disputada pelos dois países.

 

  • Nesse caso, pensou-se que a explosão seria um ataque de Israel como resposta.

 

  • Porém, após a explosão, Gabi Ashkenazi, ministro das relações exteriores, disse que o seu país não tinha nada a ver com o episódio.

 

  • De fato, seria um ataque desproporcional, a não ser que fosse para destruir um suposto depósito de armamentos em mãos do Hezbollah.

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TEORIAS CONSPIRATÓRIAS 

Especialistas avaliam explosão em Beirute: 'onda de choque e calor ...

  • Diante disso, quando a versão oficial de uma tragédia é de um acidente, é comum surgirem várias teorias conspiratórias na internet, com outras explicações, pressupondo que, possivelmente, a verdade foi ocultada.

 

  • O Líbano tem muitos inimigos. Mas, dessa vez, as evidências da explosão parecem ser (até o momento) de um trágico acidente. 

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​O TEMOR DE NOVOS CONFLITOS



Blog de Geografia: Mapa do Líbano

  • A fronteira entre Israel e Líbano é separada por uma zona tampão administrada pela ONU, afasta as perspectivas de uma nova guerra — ao menos por enquanto.

 

  • A última vez em que os dois lados se enfrentaram para valer foi entre julho e agosto de 2006, após o Hezbollah sequestrar dois soldados do país vizinho.

 

  • Na ocasião, Israel invadiu o sul do Líbano, enquanto o Hezbollah disparou mísseis através da fronteira. O conflito terminou após 34 dias com quase 1.200 mortos do lado libanês e mais de 160 mortos em Israel.


  • Fundado em 1985, em meio à guerra civil no Líbano, o Hezbollah diz atuar em nome dos seguidores do ramo xiita do islã, que formam um dos diversos grupos religiosos país.

 

  • A sociedade libanesa também é formada por muçulmanos sunitas, cristãos maronitas e drusos, bem como numerosas minorias de refugiados palestinos, sírios e armênios.

 

  • O Hezbollah, de orientação islamita, é uma das principais forças políticas no Líbano, seu nome significa "Partido de Deus".

 

  • Seu braço armado é independente do Exército libanês e forma um dos grupos armados mais poderosos da região.

 

  • Responsável por diversos atentados ao redor do mundo entre as décadas de 1980 e 1990, o Hezbollah é considerado um grupo terrorista por Israel (seu inimigo declarado) e pelos Estados Unidos.

 
A QUESTÃO IRANIANA

 

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  • O Hezbollah é financiado e treinado pelo Irã.

 

  • Nos últimos anos, a milícia libanesa participou da guerra civil na vizinha Síria ao lado de forças iranianas para ajudar o regime de Bashar al-Assad a derrotar grupos armados da oposição.


  •  Ademais, Israel tem atacado alvos ligados ao regime de Teerã na Síria e no Iraque, além dos bombardeios contra o Hezbollah no Líbano.
  • As nuvens de guerra parecem ter se dissipado após a mais recente troca de foguetes, mas as raízes políticas da instabilidade na região se mantêm. 
  • Episódios como o deste final de semana revelam os limites do frágil equilíbrio de forças que tem protegido o Oriente Médio de uma conflagração de grande escala.

 

 O PORTO DE BEIRUTE E SEU SIGNIFICADO HISTÓRICO PARA O BRASIL

 


Imigração Turca, Árabe e Sírio Libanesa no Brasil by André ...
 

  • Devastado, porto de Beirute tem significado histórico para o Brasil
  • Dos portos, libaneses começaram a embarcar com destino ao Brasil no final do século XIX
  • A costa de Beirute, devastada pela explosão que deixou mais de cem mortos na terça-feira (4/8/2020), faz parte de uma geografia sentimental brasileira. Foram dos portos dessa cidade que os libaneses começaram a embarcar para o Brasil em torno de 1870.

 

  • Foi em Beirute, também, que Dom Pedro II desembarcou no início de sua viagem pela chamada Terra Santa em 1876, passando por Jerusalém e Damasco.

 

D. PEDRO II NO ORIENTE MÉDIO
D. PEDRO II NO ORIENTE MÉDIO - EGITO

 

  • O porto de Beirute, renovado e ampliado em 1887, deve ter sido um cenário familiar para os antepassados de diversos políticos brasileiros.

 

  • Nasceram no Líbano pessoas como Salim Farah Maluf, Khalil Haddad e Nakhul Temer -os pais de Paulo Maluf, Fernando Haddad (PT) e Michel Temer (MDB), respectivamente.

 

  • Há descendentes de árabes em outras áreas: o cantor Fagner, o jornalista Guga Chacra e o autor Milton Hatoum.

 

  • Escritores brasileiros de ascendência libanesa mencionam em suas obras, inclusive, a costa de Beirute.

 

  • "O porto aparece como um ponto de transformação na vida dos personagens", diz Muna Omran, do Grupo de Estudos e Pesquisa Sobre o Oriente Médio.

 

  • De origem sírio-libanesa, Omran analisa as representações literárias feitas dos árabes, por exemplo, na obra de Salim Miguel. "O porto representa o fim e o início de uma nova etapa em suas vidas."
  •  A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou em uma rede social que buscava informações no consulado brasileiro. "A família de meu pai é de lá", escreveu. Sua tia Sabah, morta em 2014, foi uma das grandes cantoras libanesas.

 

  • Não há um número exato de quantos libaneses migraram para o Brasil.

 

  • Uma estimativa corrente é de que 150 mil pessoas vieram do que são hoje o Líbano e a Síria.

 

  • Uma pesquisa divulgada em julho pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira diz que há 12 milhões de brasileiros de origem árabe.

 

  • O cálculo foi feito pelo Ibope. Pesquisadores, no entanto, alertam para um provável exagero na projeção.

 

  • Segundo o Itamaraty, cerca de 20 mil brasileiros moram no Líbano atualmente.

 

  • A maior parte deles reside no vale do Beqaa -que fica a 30 km de Beirute. Há vilarejos nessa região em que o português é uma língua corrente.

 

  • Os libaneses migraram em massa para o Brasil saindo do que era, naquela época, o Império Otomano. Fugiam da pobreza e da fome, depois do colapso do mercado da seda e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

 

  • Libaneses falavam nos tesouros escondidos no Brasil, um país em que todo o mundo poderia enriquecer.

 

  • De fato alguns prosperaram. Caminharam pelo país mascateando com uma caixa nas costas e montaram lojinhas na rua 25 de Março. Poucos abriram indústrias.

 

  • Muitos trabalharam a vida toda sem enriquecer.

 

  • Uma das instituições mais emblemáticas dessa diáspora é o Hospital Sírio-Libanês, idealizado por Adma Jafet ainda nos anos 1920 e inaugurado oficialmente em 1965.

 

  • Há, ainda, os históricos clubes paulistanos, como o Homs e o Monte Líbano.

 

  • Libaneses foram também para outros países do continente, em especial para os Estados Unidos e para a Argentina.

 

  • Para homenageá-los, foi erguida uma estátua no porto de Beirute: um homem com uma sacola nas costas olhando para o mar conquistado.

 

  • Não há informações sobre o que aconteceu com a estátua depois da explosão que engoliu a região do porto -imagens após a tragédia mostram uma cratera ladeada por construções obliteradas.

 

  • Edifícios em toda a cidade foram danificados, incluindo o aeroporto, a dez quilômetros dali.

 

  • Segue de pé, por outro lado, a memória que aproxima o território brasileiro do libanês.

 

O QUE É NITRATO DE AMÔNIO?

 

O que faz o nitrato de amônio ser tão perigoso | Novidades da ...
NITRATO DE AMÔNIO


 
  • A explosão em Beirute pode ter relação com fertilizante que já causou estragos nos EUA, na China e na França, o Nitrato de amônio
  • Segundo o professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), o Nitrato de amônio é uma substância importante para a produção de alimentos, mas que precisa de cuidados durante armazenamento.

  • A explosão na região portuária de Beirute deixou mais de 100 mortos, de acordo com o governo do Líbano.

 

  • A causa suspeita é uma explosão de 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio, substância utilizada como fertilizante.

 

  • Os riscos do armazenamento incorreto desse material são conhecidos, de acordo com especialistas.

 

  • O produto já foi responsável por tragédias na França, na China e nos EUA.

 





VOCÊ SABIA?

O BRASIL IMPORTA CERCA DE 1 MILHÃO DE TONELADAS DE NITRATO DE AMÔNIO POR ANO - O CONTROLE É FEITO PELO EXÉRCITO


Brasil importa cerca de 1 milhão de toneladas de nitrato de amônio ... 


ACIDENTES ANTERIORES  COM O NITRATO DE AMÔNIO


  • 16 abril de 1947, Estados Unidos: Uma explosão de 2,3 mil toneladas de nitrato de amônio a bordo de um navio francês estacionado no porto no Texas deixou 581 mortos e mais de 5 mil feridos. Centenas de edifícios foram destruídos e a área portuária foi devastada;

 

  • 28 de julho de 1947, França: Os estoques de mercadorias do cargueiro norueguês 'Ocean Liberdade' em Brest (incluindo mais de 3 mil toneladas de nitrato de amônio) pegaram fogo durante seu descarregamento no porto. O navio explodiu matando cerca de 30 pessoas e deixando milhares de feridos;

 

  • 08 de janeiro de 1998, China: 24 trabalhadores em Xinping foram mortos e 60 ficaram gravemente feridos na explosão em uma fábrica de fertilizantes na província de Shaanxi;

 

  • 21 de setembro de 2001, França: A explosão do estoque de nitrato de amônio da fábrica AZF, em Tolouse, provocou a morte de 31 pessoas e deixou 2,5 mil feridos. Os investigadores consideraram como causa uma 'mistura infeliz' de produtos incompatíveis antes da explosão. Em 2012, a companhia Grande Paroisse, proprietária da fábrica, foi condenada pelo tribunal por 'homicídio culposo';

 

  • 24 de abril de 2004, Coreia do Norte: 161 mortos e 1,3 mil feridos após a colisão entre um trem que transportava petróleo e vagões carregados de nitrato de amônio, causando uma série de explosões;

 

  • 28 maio de 2004, Romênia: 18 foram mortos e três feridos em uma explosão acidental de um caminhão em Mihailesti, leste do país;

 

  • 17 de abril de 2013, Estados Unidos: Uma explosão atingiu uma fábrica de fertilizantes na cidade de West, no Texas, e deixou mortos e dezenas de feridos.

 

  • Usado para a produção de alimentos, o nitrato de amônio precisa ser armazenado com restrições, de acordo com Guilherme Marson, professor doutor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

 

  • “Não se armazena [nitrato de amônio] em grande escala com segurança. É necessário dividir o produto em pequenas porções para conter um possível estrago. E, principalmente, produzir e já transportar para onde será utilizado", disse.

 

  •  Segundo o químico, o nitrato de amônio não é um explosivo por si só. Ele se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro, desde que não aquecido ou em contato com alguma faísca.

 

  • A partir de 210 °C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290 °C, a reação pode se tornar extremamente explosiva.

 

  • "Temperatura, faísca, um início de chama. O calor causa a decomposição, libera nitrogênio, oxigênio e água, eles expandem porque são gases (a água em fase gasosa, é claro).

 

  • Rapidamente, eles produzem uma onda de choque. É um movimento mecânico dos gases, uma esfera que vai em todas as direções", explicou Marson.

 

  • Os gases liberados têm a mesma massa do nitrato de amônio, mas o volume pode ser mais de 10 mil vezes maior.

 

  • Marson explica que não é possível impedir a força da explosão, já que o mecanismo acontece rápido e em efeito dominó.

 

 

A EXPLOSÃO EM BEIRUTE

 


O que se sabe sobre a megaexplosão que lançou 'nuvem cogumelo' no ...

  • A explosão no porto causou destruição em larga escala e quebrou o vidro de janelas a quilômetros de distância. Alguns barcos que navegavam próximos à costa do Líbano chegaram a ser balançados pela força da explosão.

 

  • As explosões chegaram a ser ouvidas em Larnaca, no Chipre, a pouco mais de 200 km da costa libanesa.

 

  • O presidente do país, Michel Aoun, disse que a capital deve declarar estado de emergência devido à explosão destra terça-feira e defendeu ser "inaceitável" que 2.750 toneladas de nitrato de amônio fossem armazenadas por seis anos em um depósito sem a segurança necessária.

 

  • Apesar de o país já ter sido alvo de terroristas e viver período de instabilidade política, não há evidência de que se trate de um atentado terrorista.

 

  • O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, disse em um pronunciamento que o país enfrenta uma catástrofe e declarou luto oficial de três dias. Ele disse também que o governo irá investigar os responsáveis pelo armazém que funcionava no porto da capital desde 2014.

 

  • "Eu prometo que esta catástrofe não passará sem que os culpados sejam responsabilizados. Os responsáveis pagarão o preço" – Hassan Diab, primeiro-ministro

 


PARA FINALIZAR, VAMOS ASSISTIR A UMA REPORTAGEM SOBRE A IMIGRAÇÃO  LIBANESA PARA O BRASIL


 

 

Imagens: Google Imagens / Vídeo - Youtube